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A alta do crédito que esbarra no avanço do endividamento das famílias e nas taxas de juros elevadas

A expansão do crédito no país segue sustentada por programas governamentais e linhas direcionadas, enquanto a taxa de inadimplência da carteira livre deve alcançar 6,1% em meio ao orçamento apertado das famílias.

ECONOMIAMERCADOCRÉDITO

Por Redação InfoDot

10/14/20263 min read

O mercado de crédito bancário brasileiro deve encerrar 2026 com uma expansão de 8,9% na carteira total, ritmo alinhado à projeção de 9,1% divulgada pelo Banco Central (BC) no Relatório de Política Monetária. A Pesquisa Febraban de Economia Bancária e Expectativas de setembro, realizada com 20 instituições financeiras, aponta uma assimetria entre as modalidades de financiamento. O crédito direcionado, influenciado por políticas públicas e programas governamentais, deve registrar avanço de 11% no ano, impulsionado pelas operações para pessoas jurídicas, cuja estimativa subiu de 12,9% em agosto para 13,4% em setembro. Em contrapartida, as operações de crédito livre tendem a crescer 7,1%, com recuos nas projeções para empresas (de 3,9% para 3,5%) e para pessoas físicas (de 10,1% para 9,6%), movimento reflexo dos juros elevados e da competição com o mercado de capitais.

A expansão total, contudo, convive com a perda de velocidade no segundo semestre e com a deterioração da qualidade dos ativos. A parcela de bancos que projeta aumento na inadimplência das famílias até o encerramento do ano subiu de 38,1% em agosto para 65%, ao passo que a estimativa para o calote na carteira livre ao fim de 2026 subiu de 5,8% para 6,1%, indicador que havia fechado 2024 em 3% e 2025 em 4,1%. O cenário reflete o patamar de endividamento do consumidor: dados do Serasa indicam que 83,9 milhões de adultos (51% da população adulta) estão negativados, com dívida média individual de R$ 6.814,39, enquanto o total de empresas inadimplentes ultrapassou 9,1 milhões de CNPJs, somando mais de R$ 232,9 bilhões em débitos em atraso.

Para 2027, o setor projeta nova desaceleração da carteira total para 7,4%, com o crédito livre avançando 6,4% e o direcionado mantendo expansão de 8,5%. A pesquisa revela ainda a piora nas expectativas inflacionárias, com 50% das instituições projetando que o IPCA terminará 2026 acima de 4,9%, ante 19% no levantamento anterior. Entre os fatores de pressão apontados pelos analistas destacam-se a manutenção de estímulos fiscais, os choques de oferta decorrentes de volatilidades no preço do petróleo e os impactos do fenômeno climático El Niño na produção.

A seletividade na concessão de crédito livre por parte das instituições financeiras tende a se intensificar como mecanismo de proteção contra a elevação das taxas de inadimplência.

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