A conta da IA chegou? Gigantes da tecnologia veem US$ 2,3 trilhões desaparecerem em um mês

Gigantes da tecnologia acumulam perdas expressivas em valor de mercado, enquanto investidores aguardam os balanços do segundo trimestre para avaliar se os elevados investimentos em inteligência artificial (IA) começarão a gerar retorno financeiro.

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Por Redação InfoDot

7/1/20264 min read

Movimentos bruscos no mercado costumam refletir mais do que oscilações de preços, eles também revelam mudanças nas expectativas dos investidores. Em momentos de grandes transformações tecnológicas, a confiança no futuro passa a ser testada pelos resultados apresentados no presente.

Esse cenário marcou o desempenho das sete maiores empresas de tecnologia ao longo de junho. Conhecidas como "7 Magníficas", Microsoft, Nvidia, Alphabet, Apple, Meta, Tesla e Amazon perderam aproximadamente US$ 2,3 trilhões em valor de mercado durante o mês. No sentido oposto, o setor de semicondutores registrou valorização de 6% no mesmo período.

O movimento também se refletiu no índice CNBC Magnificent 7, que acumula retração de 10% em junho. Segundo a análise do mercado, cresce a preocupação de que os investimentos bilionários realizados por essas companhias em inteligência artificial (IA) ainda não estejam produzindo resultados financeiros concretos.

Agora, a atenção dos investidores está voltada para a temporada de balanços do segundo trimestre, prevista para começar em julho. Os resultados deverão servir como um indicador importante para avaliar o atual ciclo de investimentos em IA. Paralelamente, o endividamento destinado à compra de ações alcançou US$ 1,4 trilhão em maio, sendo grande parte desse volume direcionada a empresas ligadas à inteligência artificial.

Na avaliação do diretor-administrativo da Wedbush Securities, Dan Ives, o momento representa mais um "teste de realidade" para as empresas de tecnologia, antes da divulgação dos resultados de julho que devem "validar a revolução da IA". "A apreensão deve persistir, impulsionada pelas preocupações com os custos dessa expansão tecnológica, um fenômeno que ocorre apenas uma vez em uma geração, à medida que ela entra em uma nova fase de crescimento acelerado", afirmou à CNBC.

Apesar da forte desvalorização do grupo, o desempenho não foi uniforme entre as companhias. A Microsoft registrou a maior queda, acumulando recuo de 20% somente em junho. Em seguida aparece a Nvidia, com perda de aproximadamente 13%, enquanto Apple e Amazon apresentaram desvalorização de cerca de 8% cada.

Para o chefe de pesquisa da Fundstrat Global Advisors, Tom Lee, parte dessa pressão decorre de uma mudança estrutural no perfil das empresas. Segundo ele, o mercado procura compreender uma nova narrativa para as 7 Magníficas, que deixaram de ser "empresas leves em ativos" e passaram a operar em um modelo "mais intensivo em balanço".

Mesmo assim, Lee acredita que essa percepção tende a evoluir. "Acho que os investidores vão começar a ver esse balanço como uma força de trabalho", disse à CNBC, acrescentando que o elevado volume de investimentos busca substituir parte do esforço humano por soluções baseadas em inteligência artificial.

Enquanto as grandes empresas de tecnologia enfrentam perdas, o segmento de semicondutores segue em trajetória positiva. O Philadelphia Semiconductor Index, composto por empresas como Taiwan Semiconductor (TSMC), Micron e ASML, acumula avanço de aproximadamente 6% apenas em junho.

No acumulado do ano, esse índice já registra alta superior a 90%, enquanto as 7 Magníficas apresentam queda de 3,4% no mesmo intervalo. Como essas empresas figuram entre as maiores compradoras de chips do mundo, a concentração da demanda mantém o mercado de semicondutores pressionado, favorecendo fornecedores e fabricantes.

O setor de memórias também acompanha esse movimento. A escassez de componentes impulsionou significativamente os preços, levando o ETF Roundhill Memory, que reúne empresas como SK Hynix e Samsung, a acumular valorização de 166% neste ano.

Na visão do estrategista multiativos do HSBC, Duncan Toms, os resultados apresentados pela fabricante de memórias Micron "jogam um balde de água fria" sobre o ceticismo relacionado à inteligência artificial, ao oferecerem evidências concretas de um cenário "vivo e saudável" para o setor.

Analistas do UBS chegaram a uma conclusão semelhante. De acordo com a instituição, os gargalos na cadeia de suprimentos voltada à inteligência artificial continuam sem sinais de desaceleração, enquanto a receita de serviços em nuvem das principais plataformas deverá acelerar ao longo do ano. Esses fatores "reforçam os fundamentos sólidos da história de crescimento da IA."

Para o banco, "Para os investidores, acreditamos que a exposição a ações ligadas à IA permanecerá como um diferencial importante para o desempenho no mercado de ações a longo prazo, no entanto, também consideramos essencial a diversificação, tanto dentro quanto além do setor de IA", disse à CNBC.

Os movimentos do mercado mostram que grandes ciclos de inovação costumam alternar momentos de entusiasmo e cautela antes que seus resultados se consolidem.

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