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A tecnologia nacional do INPE que prevê tempestades e furacões com precisão inédita
Sistema com resolução espacial de 10 quilômetros substitui o modelo BAM e inicia renovação da infraestrutura tecnológica de pesquisa meteorológica no país.
INFRAESTRUTURATECNOLOGIASEGURANÇA
Por Redação InfoDot
9/16/20262 min read
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), autarquia vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), oficializou a entrada em operação do Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera (Monan). Desenvolvido ao longo de mais de três anos sob liderança do órgão e em cooperação com instituições brasileiras e latino-americanas, o sistema passa a atuar como a principal plataforma operacional do país para a previsão numérica do tempo, gerando projeções globais com antecedência de até 11 dias e resolução espacial aproximada de 10 quilômetros, com duas atualizações diárias (à 0h e às 12h UTC).
A infraestrutura do Monan utiliza o supercomputador Jaci, instalado no centro de dados do INPE em Cachoeira Paulista (SP). A máquina é o primeiro de quatro sistemas previstos pelo projeto Renovação da Infraestrutura de Supercomputação (Risc), iniciativa destinada à modernização tecnológica e operacional do instituto. A nova plataforma apresentou desempenho superior ao modelo predecessor global (BAM), cujas emissões serão mantidas temporariamente durante o período de transição. Na arquitetura do software, o Monan integra o núcleo dinâmico MPAS (Model for Prediction Across Scales), desenvolvido pelo National Center for Atmospheric Research (NCAR) dos Estados Unidos e adaptado pelo INPE para a representação de fenômenos tropicais e subtropicais na América do Sul.
As simulações do Monan fornecem subsídios técnicos para o acompanhamento de frentes frias, secas e tempestades, com aplicação direta no planejamento agrícola, gestão de recursos hídricos, operação do setor elétrico e nas ações de mitigação de desastres a cargo da Defesa Civil. A eficiência da ferramenta foi validada em eventos severos, como na modelagem da trajetória do furacão Melissa em outubro de 2025. O cronograma do programa prevê, até 2031, a implementação de uma versão regional para a América do Sul com resolução de 5 quilômetros, a expansão para múltiplos horizontes temporais (nowcasting, curto prazo, subsazonal, sazonal e climático) e o acoplamento do código-fonte, que será disponibilizado em acesso aberto para a comunidade acadêmica.
A consolidação de modelos numéricos próprios fortalece a autonomia tecnológica do país e amplia a capacidade preventiva da administração pública frente às oscilações climáticas extremas.






