Acordo entre EUA e Irã anima governo e pode reduzir inflação e juros no Brasil

A redução de conflitos internacionais costuma gerar efeitos que ultrapassam fronteiras. Em uma economia global conectada, acontecimentos geopolíticos podem influenciar preços, investimentos e expectativas em diversos países, incluindo o Brasil.

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Por Redação InfoDot

6/16/20263 min read

A possibilidade de encerramento da guerra no Oriente Médio tem sido recebida de forma positiva pela equipe econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é de que um avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã pode contribuir para aliviar pressões sobre os preços de combustíveis e alimentos, favorecendo também o cenário para inflação e juros no país.

Nesta segunda-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou ter assinado um acordo preliminar com o Irã. Segundo ele, a expectativa é que o Estreito de Ormuz seja reaberto até sexta-feira, restabelecendo uma das principais rotas utilizadas pelo mercado internacional de petróleo.

Antes do início do conflito, a região era responsável por aproximadamente um quinto da oferta global da commodity. O entendimento anunciado prevê um cessar-fogo de 60 dias, período em que Washington e Teerã continuarão discutindo temas considerados mais delicados, entre eles o programa nuclear iraniano.

Os mercados reagiram rapidamente ao anúncio. O contrato do petróleo Brent para agosto registrou queda próxima de 5% nesta segunda-feira, sendo negociado a US$ 83,17 por barril, valor semelhante ao observado em março.

Durante os períodos mais intensos da guerra, iniciada em fevereiro, a cotação do petróleo chegou a ultrapassar US$ 110 por barril. Antes da escalada das tensões, os preços estavam próximos de US$ 70.

Integrantes da área econômica acreditam que a commodity poderá recuar para menos de US$ 80 caso o acordo seja colocado em prática e a retomada das operações no Estreito de Ormuz ocorra sem novos episódios de instabilidade.

Dentro do governo, existe a avaliação de que a alta do petróleo teve papel relevante na piora das projeções para a inflação. Antes do conflito, as estimativas para o IPCA em 2026 e 2027 estavam abaixo de 4%.

Atualmente, de acordo com o Boletim Focus, o mercado projeta inflação de 5,30% neste ano e de 4,10% em 2027. O cenário também provocou mudanças nas expectativas relacionadas à taxa básica de juros.

Antes da guerra, investidores estimavam que a Selic encerraria o ciclo de cortes próxima de 12%. Agora, a previsão predominante no mercado aponta para 13,75%.

Outro ponto que vinha sendo monitorado com atenção pela equipe econômica era a situação dos fertilizantes, insumos considerados essenciais para a próxima safra agrícola brasileira. A diminuição das tensões reduz o risco de aumento dos custos de produção e, consequentemente, de pressões adicionais sobre os preços dos alimentos.

A queda das cotações internacionais do petróleo também pode diminuir a necessidade de novas ações governamentais para conter o preço dos combustíveis. Nos últimos meses, foram implementados programas de subsídio para diesel, gasolina e gás de cozinha, com impacto bilionário sobre as contas públicas.

Com preços internacionais mais acomodados, a tendência é de menor pressão por novos desembolsos nessa área. Ainda assim, integrantes do governo adotam postura cautelosa diante do cenário.

Desde fevereiro, as negociações entre Estados Unidos e Irã passaram por diversas mudanças de rumo. Por isso, permanecem dúvidas sobre a capacidade de o cessar-fogo temporário evoluir para um acordo definitivo e duradouro.

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