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Agro sustenta projeção de superávit e registra desempenho relevante no início de 2026
Setor responde por grande parte das exportações brasileiras e segue determinante para o saldo positivo da balança comercial, apesar de oscilações recentes.
MERCADOBUSINESSECONOMIA
Por Redação InfoDot
4/15/20264 min read
Movimentos da economia global costumam testar a capacidade de resistência dos países, especialmente quando dependem do comércio exterior. Em meio a esse cenário, o Brasil inicia 2026 com sinais de solidez sustentados, em grande parte, pelo desempenho do agronegócio.
A projeção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) aponta para um superávit de US$ 72,1 bilhões na balança comercial brasileira em 2026, o que representa crescimento de 5,9% em relação aos US$ 68,1 bilhões registrados em 2025. O número, divulgado junto aos dados de março, está próximo do limite inferior da faixa estimada anteriormente pelo governo, entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões.
Mesmo diante de variações ao longo dos meses, o agronegócio permanece como base desse resultado. Em 2025, o setor alcançou US$ 169,2 bilhões em exportações, equivalente a quase metade do total nacional, com avanço de 3% sobre o ano anterior, marcando o maior valor da série histórica. No mesmo período, a corrente de comércio agropecuário chegou a US$ 189,4 bilhões, enquanto o superávit do segmento foi de US$ 149,07 bilhões.
Os primeiros dados de 2026 indicam um início consistente. Em fevereiro, as exportações do agronegócio somaram US$ 12,05 bilhões, o melhor desempenho já registrado para o mês, representando 45,8% das exportações brasileiras. Em comparação com fevereiro de 2025, houve crescimento de 7,4%, impulsionado principalmente pelo aumento de 9% no volume exportado.
No mesmo intervalo, as importações de produtos agropecuários totalizaram US$ 1,5 bilhão, queda de 9,1% na comparação anual, resultando em um superávit mensal de US$ 10,5 bilhões, valor 10,3% superior ao observado no mesmo período do ano anterior.
Já em março, o desempenho mostrou sinais de desaceleração. Segundo dados da Secex/MDIC, as exportações da agropecuária alcançaram US$ 8,2 bilhões, com leve alta de 1,1% frente a março de 2025. No entanto, números parciais até a terceira semana indicavam retração de 13,4%, com embarques de US$ 5,5 bilhões. A queda nas vendas de café, que recuaram 30,5% no mês, impactou significativamente o resultado, em função de ajustes nos cronogramas de envio.
Considerando o acumulado de janeiro a março, o comércio exterior brasileiro manteve trajetória positiva. As exportações totais atingiram US$ 82,338 bilhões, crescimento de 7,1%, enquanto as importações somaram US$ 68,2 bilhões, avanço de 1,3%. O saldo comercial no primeiro trimestre foi de US$ 14,175 bilhões, alta de 47,6% em relação ao mesmo período de 2025.
Entre os fatores de risco, o mercado norte-americano merece atenção. As vendas para os Estados Unidos caíram 9,1% em março de 2026, acumulando oito quedas consecutivas, reflexo das tarifas adicionais aplicadas a produtos brasileiros. Em contrapartida, as exportações para a China cresceram 17,8% no mês, totalizando US$ 10,490 bilhões.
Nos últimos anos, a estratégia de diversificação tem atuado como amortecedor para o setor agropecuário. Em 2025, foram abertos 525 novos mercados desde 2023, enquanto produtos não tradicionais ampliaram sua participação, com crescimento de cerca de 15% nas exportações. Para 2026, o desafio será manter esse alcance diante de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, volatilidade de preços e maior protecionismo.
As projeções do MDIC indicam exportações totais de US$ 364,2 bilhões e importações de US$ 292,1 bilhões em 2026, com altas de 4,6% e 4,2%, respectivamente, em relação ao ano anterior. O diretor de estatísticas e estudos de comércio exterior do MDIC, Herlon Brandão, destacou os desafios externos, mas reforçou a confiança nas estimativas com base em dados internos.
“Sabemos que o cenário internacional tem desafios, mas pelas informações que temos até agora, olhando atividade econômica, taxa de câmbio e consumo, os modelos apontam para esse resultado”, afirmou.
Brandão também ressaltou a estabilidade do setor: “Por mais que tenha variações, olhando a direção e o patamar, observamos um comércio exterior brasileiro relativamente estável e resiliente a crises.”
Novas projeções mais detalhadas devem ser apresentadas em julho pelo MDIC. O maior superávit da história da balança comercial brasileira segue sendo o de 2023, quando o país registrou US$ 98,9 bilhões. (Com Agência Brasil)
Em um ambiente global incerto, a consistência dos resultados mostra que a força de um setor pode redefinir o equilíbrio de toda uma economia.






