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Banco Central alerta que número de endividados de risco no Brasil salta 75% e atinge 20,3 milhões
Digitalização de serviços bancários e avanço do crédito não consignado elevam a vulnerabilidade das famílias de menor renda e pressionam a capacidade de pagamento das empresas.
ECONOMIACULTURAMERCADO
Por Redação InfoDot
11/3/20262 min read
O Banco Central do Brasil divulgou o Relatório de Estabilidade Financeira referente ao primeiro semestre de 2026, revelando a existência de 20,3 milhões de devedores classificados na faixa de alto risco em junho. O contingente representa uma expansão de 75% na comparação com o mesmo período de 2021 e equivale a 17% do total de tomadores de crédito do Sistema Financeiro Nacional. A enquadração na categoria de alto risco exige o atendimento simultâneo a ao menos dois critérios regulatórios definidos pela autoridade monetária: comprometimento superior a 50% da renda com serviço da dívida, renda remanescente pós-quitação inferior à linha de pobreza (entre R$ 500 e R$ 600), situação de inadimplência e multimodalidade contratual em diferentes linhas de financiamento.
O relatório destaca que o comprometimento da renda familiar alcançou o patamar mais elevado dos últimos 21 anos, atingindo com maior intensidade a população de menor renda. A aceleração do endividamento é impulsionada pela ampliação do acesso a serviços financeiros digitais, que intensificou a exposição de consumidores a modalidades de crédito de custo elevado, como o cartão de crédito e o crédito pessoal não consignado. Para conter a proliferação de práticas inadequadas e reforçar a proteção aos tomadores, o Banco Central editou três resoluções focadas na restrição a ofertas abusivas e no aumento da transparência prévia à contratação de operações bancárias.
No segmento corporativo, a capacidade de pagamento das empresas também permanece sob monitoramento do regulador. Embora o sistema não registre deterioração generalizada na maioria das grandes corporações, o balanço do primeiro semestre de 2026 indica ampliação no volume de companhias que reportaram redução no lucro líquido combinada ao avanço das despesas financeiras líquidas, comprimindo a margem de segurança necessária para o cumprimento das obrigações financeiras.
A adoção de critérios mais rigorosos de concessão e o reforço nas regras de transparência buscam reequilibrar a capacidade de pagamento das famílias e preservar a estabilidade do sistema financeiro.






