

Imagem coneceito reproduzida pela InfoDot
Brasil 2027-2030: os desafios para o próximo governo
Dívida crescente, juros elevados e reformas estarão no centro da agenda econômica de 2027 a 2030.
GOVERNOMERCADOECONOMIAINFRAESTRUTURACULTURA
Por Alex Agostini - Austin Rating
10/13/20263 min read
O Brasil está prestes a conhecer seu próximo presidente, que comandará o país no período de 2027 a 2030. Não será um mandato fácil. Além das condições climáticas adversas e ambiente externo um tanto volátil, internamente o desafio passa pela redução do conflito entre Legislativo e Judiciário, bem como colocar as contas fiscais em ordem, equilibrar o diálogo comercial com os EUA e China, e conseguir reduzir os níveis de endividamento das famílias e empresas para evitar que a economia entre em um espiral recessivo, como ocorreu em 2015 e 2016.
O próximo governo brasileiro assumirá, em 2027, com uma economia em desaceleração, taxa de juros e inflação ainda fora do eixo dos níveis civilizados e, principalmente, com uma bomba fiscal para desarmar: dívida bruta crescente.
É fato que o orçamento público federal está, há tempos, estruturalmente engessado. Por exemplo, para 2027 está previsto R$ 7,45 trilhões de receita, sendo que a distribuição das despesas prevê: 51,3% para pagamento da dívida pública (R$ 3,82 trilhões); 45,9% para as despesas primárias (R$ 3,42 trilhões) que são divididas em dois grupos: despesas obrigatórias e despesas discricionárias, sendo que as obrigatórias respondem por mais de 92% do total e as discricionárias (ex: investimentos) estão sendo “tomadas” pelas emendas parlamentares; além de 2,8% (R$ 210 bilhões) destinados a manutenção das despesas com as empresas estatais. Ou seja, não sobra quase nada para colocar “a casa em ordem”.
O problema fiscal brasileiro possui implicações que vão muito além do orçamento. Uma dívida bruta elevada (82,9% do PIB, ago/26), e sem perspectiva clara de estabilização ou recuo, aumenta o prêmio de risco exigido pelos investidores, pressiona consistentemente os juros e reduz o espaço para investimentos públicos e privados. Esse quadro é extremamente nocivo em virtude de elevar os custos financeiros para as empresas e famílias impactando diretamente na perda de potencial de crescimento econômico. Além disso, como grande parcela da dívida pública é sensível aos juros, uma política monetária restritiva, como atualmente com juros reais superior a 8,5% ao ano, eleva rapidamente o custo de financiamento do próprio governo e diminui as folgas que ainda há no orçamento.
Para o próximo governo, portanto, a questão não será simplesmente gastar menos, mas melhorar a qualidade do gasto público, preservando investimentos capazes de elevar produtividade e o crescimento potencial. Porém, para tanto, será necessário coesão no Congresso Nacional para atacar as pautas relevantes que poderão ajudar na reversão do endividamento público, com destaque para um amplo e profundo programa de privatizações, revisão dos benefícios fiscais e assistenciais e realizar as reformas estruturantes.
Também será importante restabelecer as negociações comerciais com os EUA e manter equilibradas as relações com a China, nosso principal parceiro comercial. Avançar em pautas relevantes para a próxima fronteira da tecnologia: exploração das terras raras e minerais críticos, com amplo investimento em tecnologia no território nacional.
Em síntese, o período 2027–2030 poderá ser decisivo para definir se o Brasil conseguirá romper o ciclo de dívida elevada, juros altos e crescimento econômico pífio. Não há dúvidas que o caminho passa por disciplina fiscal, recuperação da credibilidade junto aos agentes econômicos, reformas estruturantes, ampliação dos investimentos em infraestrutura, diplomacia econômica pragmática e, acima de tudo, ter vontade política.
-------------
Alex Agostini é economista-chefe da Austin Rating – Agência de Classificação de Risco de Crédito








