Brasil alcança top 10 em governo digital e supera média internacional em índice da OCDE

Evolução consistente em políticas públicas digitais impulsiona o país para a 10ª posição global, com desempenho acima da média internacional e destaque na América Latina.

TECNOLOGIAMERCADO

Por Redação InfoDot

2/24/20263 min read

Transformações tecnológicas no setor público costumam ocorrer de forma gradual, quase silenciosa, até que seus efeitos passem a ser percebidos no cotidiano das pessoas. Quando serviços se tornam mais simples, rápidos e integrados, a digitalização deixa de ser promessa e passa a representar mudança estrutural. Nesse contexto, o desempenho brasileiro em governo digital ganha relevância internacional.

Entre 2023 e 2025, o Brasil avançou da 16ª para a 10ª colocação no Índice de Governo Digital da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, empatando com o Chile. A nota nacional chegou a 0,79, superando a média da OCDE, de 0,70, e representando uma evolução significativa frente ao resultado de 0,62 registrado dois anos antes.

Os dados integram o OECD Digital Government Index 2025, levantamento que examina a capacidade dos governos de estruturar e sustentar processos de transformação digital. O estudo considera seis dimensões que avaliam desde governança e uso de dados até a integração de tecnologia na formulação e execução de políticas públicas. No panorama geral, a média dos países membros subiu de 0,61 para 0,70, crescimento de 14% que sinaliza progresso moderado rumo a administrações plenamente digitais.

Na América Latina, o Brasil figura entre os principais desempenhos ao lado do Chile, apresentando melhora em todas as frentes analisadas. Os avanços mais expressivos foram observados nos pilares de governo aberto por padrão e abordagem centrada no usuário, refletindo a ampliação do portfólio de serviços digitais e a incorporação de mecanismos de participação cidadã no desenho de políticas públicas.

Segundo a OCDE, a digitalização consolidou-se como elemento estratégico para os Estados, influenciando decisões relacionadas à infraestrutura tecnológica, arquitetura de dados e aplicação de inteligência artificial. O relatório aponta que modernização de sistemas, interoperabilidade entre bases e adoção de métodos ágeis elevam a eficiência governamental e ampliam a capacidade de resposta, preservando transparência e accountability.

O grupo de maior desempenho em 2025 inclui Coreia do Sul, Austrália, Portugal, Reino Unido, Noruega, Estônia, Irlanda e Dinamarca, nações que apresentam resultados equilibrados nas seis dimensões do índice. A OCDE destaca ainda progresso relevante no uso de dados, na governança de inteligência artificial e na consolidação de infraestruturas digitais públicas, como sistemas de identidade e interoperabilidade.

No cenário brasileiro, a expansão do Gov.br aparece como elemento central dessa evolução. A plataforma reúne mais de 173 milhões de usuários e concentra aproximadamente 4,6 mil serviços digitais federais, além de outros 8,3 mil serviços estaduais e municipais. A ampliação da identidade digital e a integração de bases governamentais têm favorecido tanto a oferta de serviços quanto a coordenação entre órgãos públicos.

A análise considera informações coletadas no primeiro semestre de 2025, abrangendo iniciativas implementadas entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024. Embora reconheça avanços consistentes em áreas como uso de dados, foco no usuário e proatividade, a OCDE indica que permanecem desafios estruturais, especialmente relacionados a investimentos digitais e políticas de dados abertos.

As notas brasileiras que sustentam a 10ª posição foram:
Digital por Design: 0.78
Setor Público Orientado por Dados: 0.75
Governo como Plataforma: 0.81
Aberto por Padrão: 0.74
Orientado ao usuário: 0.84
Proativo: 0.80
Score composto: 0.79

A digitalização do Estado deixa de ser apenas modernização tecnológica e passa a representar a capacidade de governos responderem com agilidade às demandas de uma sociedade cada vez mais conectada.

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