

Brasil mira até 500 novos data centers e amplia protagonismo digital na América Latina
Com base em dados de mercado e políticas públicas, o Brasil se posiciona como um dos principais destinos para novos investimentos em infraestrutura digital nos próximos anos.
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Por Redação InfoDot
1/20/20263 min read
Em um mundo cada vez mais orientado por dados, a capacidade de armazenar, processar e distribuir informação se tornou um ativo estratégico. É nesse cenário que o Brasil avança para ocupar um papel central na geografia global da infraestrutura digital, impulsionado por vantagens energéticas, logísticas e regulatórias.
Atualmente, o país ocupa a 11ª colocação no ranking mundial de destinos para data centers, conforme levantamento do Data Center Map. Na América Latina, o protagonismo é ainda mais evidente, o Brasil concentra quase 80% da capacidade energética da região, segundo o relatório Latin America Data Center Market Outlook.
As projeções de mercado indicam uma expansão significativa dessa infraestrutura. De acordo com Daniel Tibor Fuchs, diretor de Inovação da Arqia, empresa especializada em conectividade IoT (Internet das Coisas), o território nacional pode abrigar até 500 novos data centers ao longo dos próximos 10 a 12 anos.
Esse movimento ocorre em meio à forte demanda global por processamento de inteligência artificial e serviços de computação em nuvem. Segundo relatório da agência de classificação de risco Moody’s, o setor de data centers deve atrair cerca de US$ 3 trilhões em investimentos em todo o mundo nos próximos cinco anos.
A atratividade brasileira também se explica por fatores estruturais. Grandes empresas de tecnologia, como Google, Microsoft e Amazon, veem no país um ambiente favorável graças à robusta infraestrutura de conectividade e à matriz elétrica. O Brasil funciona como um importante hub de cabos submarinos que ligam a América do Sul à África, à Europa e à América do Norte, assegurando baixa latência na transmissão de dados. Soma-se a isso o fato de aproximadamente 86% da eletricidade nacional ter origem em fontes renováveis, critério fundamental para as metas de sustentabilidade dessas companhias.
Para Fuchs, o avanço do setor exige preparação adequada. “O movimento evidencia a importância de um planejamento digital de longo prazo, com foco em eficiência, sustentabilidade, proteção da propriedade de dados e segurança destes dados”, afirma o executivo.
No campo das políticas públicas, o Governo Federal instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata). O programa prevê R$ 5,2 bilhões no orçamento de 2026 destinados a incentivar novos empreendimentos, com prioridade para a descentralização da infraestrutura em regiões historicamente menos atendidas.
Ao mesmo tempo, o crescimento acelerado desperta discussões sobre impactos fiscais e uso de recursos. Estados do Nordeste, que dispõem de excedente de energia renovável, passaram a figurar entre os principais destinos de projetos de data centers de hiperescala. Uma apuração do The Intercept Brasil apontou que unidades da federação como o Rio Grande do Norte articulam medidas para conceder descontos de até 95% no ICMS com o objetivo de atrair essas empresas.
Especialistas alertam, porém, para as contrapartidas envolvidas nesse processo. A renúncia fiscal pode reduzir receitas destinadas a serviços públicos essenciais, enquanto os data centers, apesar do alto valor agregado, geram poucos empregos diretos durante a fase de operação.
Além das questões tributárias, o consumo intensivo de recursos naturais também entra no debate. Estruturas de grande porte demandam volumes elevados de água para sistemas de resfriamento e grande quantidade de energia elétrica, o que torna indispensável um planejamento rigoroso para evitar impactos no abastecimento local.
O avanço da infraestrutura digital no Brasil revela que liderar a economia de dados exige equilibrar inovação, sustentabilidade e responsabilidade pública.






