Brasil pode liderar internet via satélite direta para celulares, afirma Anatel

Tecnologia direct-to-device permite conexão direta entre smartphones e satélites e ainda não está disponível comercialmente no país.

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Por Redação InfoDot

3/2/20263 min read

Mesmo com o avanço das telecomunicações, ainda existem regiões onde o sinal simplesmente não chega. Superar essas lacunas exige soluções capazes de contornar limites geográficos e estruturais. Nesse contexto, a comunicação direta entre celulares e satélites surge como uma alternativa com potencial transformador.

O Brasil pode assumir papel de destaque no futuro mercado de internet via satélite direta para dispositivos móveis, conhecido como direct-to-device, D2D. A avaliação foi apresentada pelo presidente da Agência Nacional de Telecomunicações, Carlos Baigorri, durante o Seminário de Políticas de Comunicações realizado em Brasília no fim de fevereiro.

Segundo o dirigente, o país reúne condições para se tornar referência global nesse tipo de conectividade, que permitiria aos smartphones estabelecer ligação direta com satélites, sem depender de torres ou antenas terrestres tradicionais.

A proposta tecnológica vai além da internet via satélite convencional, na qual equipamentos fixos ou antenas externas são responsáveis pela recepção do sinal. O D2D já começou a ser explorado em países como Chile e Estados Unidos, onde testes e parcerias com operadoras possibilitam sinais básicos para envio de mensagens e dados em áreas remotas.

A grande extensão territorial brasileira e a ampla demanda por cobertura em regiões isoladas foram apontadas como fatores que podem impulsionar o país a liderar esse mercado emergente na América Latina.

De acordo com Baigorri, a evolução das constelações de satélites em baixa órbita tem colocado o setor espacial no centro das inovações em telecomunicações. Projetos como o da SpaceX, responsável pelo serviço Starlink, exemplificam esse avanço. O Brasil já figura entre os maiores mercados globais da plataforma, com mais de um milhão de acessos residenciais à internet via satélite.

Na prática, a tecnologia permitirá que dispositivos móveis convencionais, incluindo smartphones com sistemas iOS ou Android, acessem a internet diretamente por meio de satélites em órbita terrestre baixa, dispensando antenas externas instaladas no solo. Apesar do potencial, esse tipo de serviço ainda não está disponível comercialmente no país.

Atualmente, a agência reguladora não liberou oficialmente o D2D e nenhuma empresa apresentou pedido formal de licenciamento para operar essa modalidade no Brasil. Questões regulatórias e técnicas ainda precisam ser superadas antes que a tecnologia chegue aos consumidores.

O país reúne características favoráveis para adotar e até liderar o desenvolvimento futuro do D2D, não apenas por sua vasta área geográfica, que inclui zonas rurais e remotas com cobertura celular limitada, mas também pelo interesse crescente em soluções que complementem as redes terrestres existentes.

A concretização dessa liderança dependerá de decisões regulatórias, de parcerias entre empresas de satélite e operadoras móveis e da capacidade de adaptação dos dispositivos às novas formas de recepção do sinal.

Quando a tecnologia rompe as barreiras da distância, a conectividade deixa de ser privilégio de alguns e passa a se tornar possibilidade para todos.

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