

Brasil registra média de 4 mil investidas hackers por semana e supera média mundial em junho de 2026
Estudo detalha escalada global nas invasões de sistemas corporativos, com destaque para a vulnerabilidade gerada pelo uso inadequado de ferramentas de inteligência artificial pelas equipes internas.
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Por Redação InfoDot
7/16/20264 min read
A consolidação de infraestruturas digitais no ecossistema corporativo exige que a maturidade em segurança da informação acompanhe o ritmo veloz da inovação tecnológica. No mercado nacional, esse equilíbrio se mostra cada vez mais crítico com a escalada recente nas investidas cibernéticas contra empresas locais.
De acordo com dados consolidados pela divisão de inteligência em ameaças Check Point Research, em junho de 2026, as corporações instaladas no território brasileiro enfrentaram uma média semanal de 4.001 tentativas de invasão digital. Esse montante representa uma elevação de 44% em relação ao intervalo equivalente do ano anterior.
O indicador coloca o país significativamente acima da média mundial de ataques por instituição, que se fixou em 2.270 ocorrências a cada sete dias, indicando um incremento global de 10% na comparação com maio e de 17% em âmbito anual.
As esferas públicas brasileiras lideraram o ranking de alvos prioritários ao longo do período, seguidas de perto pelas indústrias de bens e serviços de consumo, além do setor de energia e serviços públicos.
Os registros indicam que a relativa calmaria observada em maio foi interrompida de maneira generalizada. Em vez de focarem em nichos ou localidades restritas, os criminosos diversificaram suas investidas de forma simultânea por variados setores econômicos, caracterizando um movimento sistêmico de expansão das campanhas maliciosas.
A dinâmica desse movimento global foi avaliada por Omer Dembinsky, gerente de Pesquisa de Dados da Check Point Research. Segundo o especialista, "O avanço observado em junho reflete uma retomada ampla da atividade cibernética, e não um pico isolado de ataques".
Ele complementa ressaltando que "Os cibercriminosos estão ampliando seu alcance entre regiões e setores, enquanto os grupos de ransomware continuam se reorganizando e aumentando sua escala de atuação".
O panorama regional destaca a América Latina como o território de maior incidência dessas ameaças no planeta durante o mês monitorado, registrando uma média de 3.501 incidentes semanais por empresa, alta de 27% em termos anuais.
A região da Ásia-Pacífico ocupou a segunda posição, com uma taxa de 3.060 ocorrências semanais, seguida pelo continente africano, que obteve 3.008 casos semanais e uma redução de 9% contra o ano anterior.
Paralelamente, os mercados da Europa e da América do Norte enfrentaram crescimentos significativos de 22% e 14% em suas taxas de ataques, respectivamente, confirmando a escala internacional do fenômeno.
Em âmbito mundial, o segmento voltado para educação e pesquisa permaneceu como o principal alvo dos invasores, gerando 4.816 investidas semanais por instituição, um avanço de 16% em comparação a junho de 2025.
Esse assédio contínuo é facilitado pela infraestrutura de redes abertas, rotatividade intensa de aparelhos conectados e orçamentos de segurança restritos em escolas ou universidades.
O setor público global figurou em segundo lugar, com 2.836 ocorrências semanais, acréscimo de 5%, seguido pelo ramo de telecomunicações, que anotou 2.835 registros, elevação de 13%.
A disseminação de ferramentas baseadas em inteligência artificial generativa emergiu como um vetor de alta exposição para as organizações.
O estudo técnico apontou que, a cada 26 comandos enviados a essas plataformas a partir de redes empresariais, um continha alto potencial de vazamento de informações confidenciais, desenhando um índice de risco global de 3,9%.
Esse comportamento de vulnerabilidade foi constatado em 85% das corporações que fazem uso regular dessas tecnologias, sendo que 27% das interações carregavam algum tipo de dado sensível.
A rotina corporativa demonstra uma rápida absorção dessas ferramentas, com cada organização ativando, em média, sete soluções distintas de inteligência artificial generativa em junho de 2026, enquanto os profissionais geraram uma média individual de 78 consultas mensais.
A origem da fragilidade operacional não reside em falhas estruturais nos modelos computacionais de inteligência artificial ou no uso ofensivo por parte de criminosos, mas sim no envio voluntário de dados estratégicos pelos próprios empregados.
Entre as informações indevidamente expostas em portais públicos estão históricos de clientes, relatórios gerenciais, dados de infraestrutura operacional, balanços financeiros, registros trabalhistas e minutas jurídicas.
Os dados regionais sobre exposição relacionados a essa tecnologia apontam a América Latina no topo do ranking global, com 5,2% dos comandos avaliados como de alta periculosidade de vazamento.
O continente europeu se alinhou estritamente à média do planeta de 3,9%, enquanto a América do Norte registrou 3,6% e a Ásia-Pacífico atingiu 3,5%.
Segmentando por verticais de mercado, a área da saúde apresentou a maior incidência de vazamentos potenciais, atingindo 5,7%, acompanhada pelas áreas de telecomunicações e serviços corporativos, ambas com 5,1%, e tecnologia da informação, com 4,1%.
Nas entidades comprometidas, a exposição envolveu dados pessoais em 80% das ocorrências, elementos de rede e infraestrutura em 62%, documentos jurídicos em 61%, demonstrações financeiras em 60% e cadastros de colaboradores em 57%.
A consolidação de políticas rígidas de controle sobre o fluxo de dados internos surge, portanto, como o pilar indispensável para blindar as corporações contra a sofisticação das táticas de invasão e o compartilhamento inadvertido de ativos estratégicos.






