Brasil se antecipa à era quântica e reforça segurança digital do Gov.br
Algoritmos pós-quânticos passam a integrar a ICP-Brasil e devem ampliar proteção das assinaturas eletrônicas emitidas pelo governo.
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Por Redação InfoDot
2/6/20262 min read
À medida que a tecnologia evolui, a proteção de dados precisa acompanhar ameaças cada vez mais sofisticadas. A perspectiva de avanços da computação quântica já mobiliza governos e empresas ao redor do mundo para fortalecer sistemas de segurança digital. Nesse contexto, o Brasil inicia uma nova etapa ao incorporar padrões criptográficos mais avançados em suas estruturas oficiais.
O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) anunciou a adoção de algoritmos criptográficos pós-quânticos na Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), base que sustenta a emissão de certificados digitais no país. A mudança também atinge diretamente a Assinatura Gov.br, serviço operado pelo instituto e responsável por mais de 1 milhão de emissões diárias.
“A migração para algoritmos pós-quânticos em grandes estruturas, como a ICP-Brasil, é um caminho sem volta para continuarmos como referência em confiança e segurança. Ainda no primeiro semestre, pretendemos aplicar as primeiras assinaturas avançadas da plataforma Gov.br utilizando algoritmos pós-quânticos. Estamos avaliando, inclusive, adicionar um carimbo do tempo nas assinaturas para aumentar ainda mais a confiabilidade”, diz o presidente do ITI, Enylson Camolesi.
E completa: “É uma IN importante que sinaliza que estamos atentos e nos preparando para essa transição para o mundo da computação quântica. Os padrões publicados permitirão que a indústria se prepare e construa seus road maps visando uma adequação, uma transição planejada no tempo e que não gere nenhuma solução de continuidade para os usuários e mercados. Importante lembrar que a indústria nacional de equipamentos já vem nessa jornada há algum tempo e já se encontra preparada para a implantação de hardware com algoritmos PQC, com criptografia pós-quântica”.
A Instrução Normativa 35, publicada nesta terça, 3/2, estabelece parâmetros técnicos e operacionais que devem ser seguidos tanto pelo próprio ITI, na condição de Autoridade Certificadora Raiz (AC-Raiz), quanto pelas entidades certificadoras vinculadas à cadeia da ICP-Brasil. O documento determina quais padrões de criptografia pós-quântica serão adotados, define tamanhos de chaves, prazos de validade dos certificados e procedimentos de segurança aplicáveis à emissão de certificados digitais no país.
O avanço da criptografia pós-quântica demonstra que a confiança digital depende da capacidade de antecipar ameaças antes mesmo que elas se concretizem.






