Foto: Ton Molina/Agência Senado

Brasscom aponta avanço na formação de talentos em TIC e expansão de vagas formais

Estudo da Brasscom mapeia a evolução da contratação celetista, o avanço da diversidade acadêmica e as transformações geradas pela Inteligência Artificial no macrossetor de tecnologia.

INFRAESTRUTURAMERCADOTECNOLOGIAINTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Por Redação InfoDot

7/10/20264 min read

A sustentabilidade da transformação digital no ambiente corporativo contemporâneo depende diretamente da capacidade estrutural de equilibrar a inovação tecnológica com os modelos formais de contratação laborais. O Macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil sinaliza esse movimento ao projetar a abertura de 33 mil novos postos de trabalho com carteira assinada (CLT) até o encerramento do ano corrente. Os indicadores pertencem ao estudo “Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC”, publicado pela Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais).

Mapeamentos anteriores revelam uma mudança na dinâmica de contratações no período compreendido entre 2023 e 2025. Ao longo desse intervalo, o ecossistema tecnológico incorporou mais de 111,1 mil trabalhadores, sendo que a maior parcela desse contingente, equivalente a 55,6%, ingressou por meio de registros de Microempreendedor Individual (MEI) ou atuação informal. Em contrapartida, as admissões via regime celetista responderam por 44,4% das colocações. O balanço real do período demonstrou que, embora as estimativas oficiais anteriores para as contratações em regime CLT variassem de 30 mil a 147 mil postos, a realidade consolidou 23,7 mil novos vínculos formais, enquanto a preferência por MEIs alcançou 88,5 mil profissionais e o mercado informal absorveu 13,3 mil indivíduos.

Paralelamente, a ascensão da Inteligência Artificial (IA) redesenha as exigências do mercado corporativo sem necessariamente provocar demissões em massa imediatas. O relatório aponta que a tecnologia atua na reconfiguração profunda das funções cotidianas e dos perfis de competência exigidos. Cresce a busca por colaboradores multifuncionais aptos a utilizar ferramentas inteligentes voltadas à otimização de fluxos diários, triagem de dados e embasamento de escolhas estratégicas. Essa urgência por requalificação ganha relevância diante da menor taxa de desemprego histórica do país verificada no encerramento de 2025, fixada em 5,6%, o que eleva a competitividade pelos talentos qualificados.

A resposta do setor educacional ao aumento da demanda por qualificação técnica manifesta-se nos índices de concluintes do ensino superior. No intervalo de 2022 a 2024, as graduações na área de tecnologia formaram mais de 200,7 mil alunos, uma alta expressiva de 59,1%. Apenas no ano de 2024, registrou-se a diplomação de 110.960 indivíduos, dos quais 40% escolheram a habilitação em “Análise e Desenvolvimento de Sistemas”. O segmento técnico seguiu rota semelhante, expandindo as matrículas em cursos de TIC em 52% entre 2023 e 2025, ao passo que a Formação Inicial e Continuada na rede pública federal contabilizou 256.794 certificações emitidas de 2020 a 2024, registrando avanço acumulado de 174,6%.

Iniciativas voltadas à equidade de gênero e diversidade étnica também apresentaram evolução mensurável no ecossistema acadêmico. No fechamento de 2024, a quantidade de mulheres graduadas em cursos superiores voltados para TIC apresentou elevação de 32,4%, passando a representar 19,2% do total de concluintes, o que significa um ganho de 1,3 ponto percentual sobre os resultados anteriores. No recorte étnico-racial, o volume de estudantes negros diplomados na mesma categoria de ensino avançou 26,7% no mesmo período regulamentar, evidenciando uma movimentação progressiva direcionada a preencher os descompassos demográficos tradicionais das carreiras tecnológicas.

“O relatório mostra claramente que o setor de TIC está em expansão, formando talentos e inovando, com a capacidade de gerar 33 mil novos empregos CLT até o final de 2026. Contudo, o verdadeiro gargalo não é a falta de profissionais ou de demanda, mas o ambiente regulatório e econômico que ainda dificulta a formalização. Precisamos de políticas públicas que incentivem a contratação CLT e a requalificação, para que o crescimento do setor se traduza em oportunidades de trabalho mais estáveis e mantenha o Brasil na vanguarda da economia digital”, explica Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom.

Para conferir robustez analítica às conclusões estatísticas, o estudo utilizou mecanismos avançados baseados em algoritmos de Machine Learning aplicados sobre repositórios governamentais, incluindo o CAGED, a RAIS e as bases estatísticas do IBGE. O cruzamento das bases garante uma cobertura de projeção estipulada em 90%, operando com uma margem de confiabilidade respaldada pelo ponto Alpha de 5%.

A expansão estruturada do mercado de tecnologia no ambiente corporativo demonstra que a sustentabilidade do crescimento econômico nacional depende diretamente de uma transição regulatória e de políticas públicas eficientes que convertam o expressivo avanço acadêmico em empregabilidade formal estável e perene.

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