Café com Solange - Está faltando mão de obra… ou está sobrando ilusão?

Empresas e profissionais apontam culpados, enquanto o mercado recompensa quem aprende e se adapta.

CULTURAMERCADOTECNOLOGIA

Por Solange Freitas - Vonex -Flex Business

7/21/20263 min read

Hoje o café vem forte.

Sem açúcar, porque a verdade já adoça o suficiente.

Tem uma frase que virou o novo mantra empresarial: “Não existe mais mão de obra.”

Engraçado, porque, do outro lado, milhares de pessoas repetem: “Não existe oportunidade”.

Então alguém está mentindo.

Ou, mais provável, os dois estão contando apenas a parte da história que lhes convém.

Tem empresa procurando um unicórnio.

Quer alguém com dez anos de experiência, domínio de IA, inglês fluente, perfil comercial, liderança, inteligência emocional, disponibilidade integral… e que aceite um salário de cinco anos atrás.

Quando esse profissional não aparece, a culpa é da geração.

Curioso.

Do outro lado também existe quem acredita que tempo de empresa vale mais que resultado. Quer promoção porque “já passou da hora”.

Quer aumento porque “está fazendo muito”.

Só esquece de responder a pergunta mais importante: muito comparado a quê?

A verdade é que o mercado mudou, mas muita empresa continua contratando como se ainda estivesse em 2010, e muito profissional continua trabalhando como se ainda fosse 2010.

Enquanto isso, a tecnologia avança. O cliente muda. A concorrência evolui.

E tem gente discutindo se pode ou não aprender uma ferramenta nova.

As empresas dizem que querem inovação. Desde que ninguém questione o chefe.

Dizem que querem autonomia. Desde que tudo seja aprovado pela diretoria.

Dizem que querem donos. Mas tratam as pessoas como visitantes. E depois perguntam por que ninguém veste a camisa.

Talvez porque camisa nenhuma substitua respeito, desenvolvimento e liderança.

Agora vamos falar dos profissionais.

Tem gente esperando reconhecimento por potencial.

O mercado paga por entrega, não por intenção.

Quer salário de especialista, mas estuda como estagiário.

Quer ser líder, mas ainda terceiriza a responsabilidade pela própria carreira.

A conta nunca fecha.

A verdade inconveniente é esta:

Talento não nasce pronto. É desenvolvido.

Só que desenvolver pessoas custa tempo. Custa dinheiro. Custa paciência.

E, principalmente, exige líderes que saibam ensinar em vez de apenas cobrar.

Da mesma forma, crescer na carreira também custa.

Custa disciplina. Aprendizado. Humildade.

E a coragem de parar de procurar culpados.

Talvez o mercado não esteja vivendo uma escassez de mão de obra.

Talvez esteja vivendo uma escassez de gente disposta a evoluir.

Empresas esperando profissionais prontos.

Profissionais esperando empresas perfeitas.

E enquanto um espera pelo outro, o concorrente já contratou, treinou, ajustou e vendeu.

No fim, quem cresce não é quem reclama mais. É quem aprende mais rápido.

Porque o futuro não pertence à empresa que vive dizendo que “essa geração não presta”.

Nem ao profissional que culpa o mercado por todos os seus resultados.

Pertence a quem entende que evolução deixou de ser diferencial e virou requisito.

Esse foi o Café com Solange.

Porque, no fim, talvez o problema nunca tenha sido a falta de mão de obra, mas sim o excesso de desculpas servidas na mesa da diretoria… e na mesa do café.

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