

Café com Solange: O Nômade Digital de Fachada
Liberdade sem entrega é só paisagem. No trabalho remoto, o destino importa menos do que o compromisso.
TECNOLOGIAINTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Por Solange Freitas | Vonex | Flex Business
12/18/20252 min read


Hoje servido com gosto de liberdade mal interpretada.
“Trabalho de qualquer lugar!”
É o novo mantra corporativo repetido geralmente do deck de uma pousada, com a xícara de cappuccino estrategicamente posicionada e um notebook que, se pudesse falar, pediria resgate da falta de uso real.
Mas vamos conversar com sinceridade?
O “qualquer lugar” dessa galera raramente inclui o único lugar que faz diferença: o momento em que é preciso entregar.
A popularização do trabalho remoto trouxe coisas incríveis: autonomia, flexibilidade, respiro, qualidade de vida.
Mas também trouxe a versão moderna do funcionário de fachada, agora turbinado com filtro quente e geolocalização.
O nômade digital de fachada trocou a mesa da empresa pela mesa do buffet do hotel,
o foco pela fantasia,
e o compromisso pela busca infindável de um ângulo melhor.
Ele trabalha de onde quer.
Menos de onde o wi-fi presta,
menos de onde o time consegue contato,
e menos de onde a produtividade realmente acontece.
Porque produtividade não tem CEP.
Produtividade tem comportamento.
E é aí que a brincadeira perde a graça e ganha consequência.
A verdade é dura e simples:
flexibilidade sem responsabilidade vira ficção profissional.
E as empresas já perceberam.
Não basta trabalhar em movimento,
é preciso trabalhar em direção.
A nova era não demanda funcionários globalizados,
demanda profissionais autogerenciáveis.
Gente que não precisa de sala, mas precisa de compromisso.
Gente que não entrega foto no Slack, entrega resultado.
Gente que não vive em viagem, mas viaja sem sair do lugar quando precisa mergulhar no foco.
Trabalhar de qualquer lugar é possível.
Trabalhar bem de qualquer lugar é raridade.
E, quando é raro, vira valioso.
E, quando é valioso, é reconhecido.
O resto?
É só um turista corporativo se escondendo atrás de um discurso moderno.
Se a liberdade te faz produzir menos, ela não é liberdade, é distração.
Se a autonomia te afasta da equipe, ela não é autonomia, é isolamento.
Se o “qualquer lugar” vira desculpa, ele deixa de ser vantagem e vira problema.
O mercado está afiado.
E liderança boa já entendeu que não é sobre onde você está,
mas sobre quem você é enquanto trabalha.
Esse é o Café com Solange.
E hoje ele te convida a deixar de ser um viajante da produtividade
e finalmente virar alguém que entrega, independentemente do cenário.
Porque no fim, meu bem,
o mundo inteiro pode ser seu escritório,
mas o resultado continua sendo sua responsabilidade.






