

Conflito no Oriente Médio, eleições e os efeitos e desafios econômicos para 2027
Inflação, juros e confiança dos investidores serão decisivos para o próximo ciclo econômico.
MERCADOGOVERNOPOLÍTICAECONOMIA
Por Alex Agostini - Austin Rating
7/15/20263 min read
Viramos o calendário gregoriano e já partimos para a reta final de 2026 com foco em 2027. Mas antes, ainda vamos passar pelas turbulências do pleito eleitoral que vão produzir ondas de preocupações entre empresários, investidores e consumidores para o ciclo 2027-2030. A economia mundial deve chegar em 2027 carregando os efeitos acumulados das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Ao longo da primeira metade de 2026, as análises que apresentei como economista-chefe da Austin Rating convergiram para um ponto central: embora os efeitos imediatos da guerra tenham se concentrado no setor de energia, suas consequências mais relevantes são transmitidas pela inflação, pelos juros altos e pela deterioração das expectativas econômicas futuras.
O primeiro canal de transmissão continua sendo o setor de energia. Qualquer ameaça às rotas estratégicas de transporte de petróleo eleva o prêmio de risco da commodity, pressionando combustíveis, logística e inflação em diversas economias. Embora o Brasil seja produtor relevante de petróleo e exportador líquido, ainda depende da importação de derivados, especialmente diesel, o que limita os benefícios de uma eventual valorização do barril.
No caso brasileiro, o cenário externo soma-se aos desafios domésticos. A combinação entre política fiscal expansionista, inflação resistente, juros elevados e eleições exige cautela. Mesmo que o conflito internacional apresente sinais de acomodação, os fundamentos internos continuam sendo determinantes para o desempenho da economia em 2027. A confiança dos investidores dependerá, sobretudo, da credibilidade da política fiscal e da capacidade do próximo presidente de sinalizar estabilidade para o próximo ciclo de gestão política: 2027-2030.
Por outro lado, períodos de instabilidade também criam oportunidades. Países com estabilidade institucional, segurança e transição energética, potencial em infraestrutura, tecnologia, mineração estratégica podem atrair parte do capital internacional que busca diversificação. O Brasil reúne vantagens competitivas nesses segmentos, desde que consiga reduzir suas incertezas fiscais e regulatórias.
Em síntese, 2027 deverá ser um ano em que os desdobramentos do conflito no Oriente Médio continuarão influenciando a economia global com desaceleração moderada, inflação ainda acima das metas em diversos países e juros permanecendo elevados por período mais prolongado do que se imaginava antes da escalada do conflito. Entretanto, o desempenho brasileiro dependerá, principalmente, da capacidade de enfrentar seus próprios desafios estruturais. Em um ambiente internacional ainda marcado pela imprevisibilidade, a disciplina fiscal, a previsibilidade das políticas econômicas e a confiança dos agentes econômicos e financeiros serão os principais diferenciais para sustentar o mercado de trabalho e o crescimento de longo prazo.
Para o Brasil, o que espero: crescimento econômico ainda mais moderado, inflação convergindo muito lentamente para o centro da meta (3,0%), redução demasiadamente gradual dos juros devido à melhora das expectativas fiscais, continuidade da entrada de investimentos produtivos em setores estratégicos e elevada volatilidade nos mercados financeiros em função do ambiente eleitoral.
O conflito no Oriente Médio não deve ser analisado apenas como um evento geopolítico, mas como um importante vetor de transmissão de choques econômicos globais. Seus efeitos sobre petróleo, inflação, juros e confiança dos investidores tendem a ultrapassar o horizonte imediato da guerra.
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Alex Agostini é economista-chefe da Austin Rating, Agência de Classificação de Risco de Crédito.








