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Corrosão de caixa e custo de capital levam recuperações judiciais a patamares recordes no país

Encadeamento de juros elevados, aperto nas condições de refinanciamento e efeito dominó em cadeias produtivas transformam a recuperação judicial em sintoma de crise estrutural.

ECONOMIAMERCADO

Por Redação InfoDot

9/4/20262 min read

A manutenção do custo de capital em patamares elevados tem intensificado a pressão financeira sobre o setor produtivo, acelerando a deterioração dos indicadores de liquidez das companhias brasileiras. Com a taxa Selic fixada em 14% ao ano após sucessivos ajustes, o custo do serviço da dívida passou a corroer o fluxo de caixa das empresas antes mesmo da busca por reestruturação formal. Segundo especialistas em direito empresarial e reestruturação corporativa, o avanço dos pedidos de recuperação judicial reflete um ciclo sistêmico no qual a inadimplência encarece o refinanciamento, restringe a concessão de novos créditos e amplia as exigências de garantias no mercado.

Estatísticas da Serasa Experian apontam que o país encerrou o exercício de 2025 com 977 pedidos de recuperação judicial, englobando 2.466 companhias, o maior volume registrado desde 2016. A contaminação financeira alcançou com intensidade o agronegócio, que somou 474 requerimentos no primeiro trimestre do ano subsequente, registrando um crescimento de 21,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Analistas alertam que o risco ganha gravidade quando a inadimplência deixa de ser isolada e atinge múltiplos elos de uma mesma cadeia de suprimentos, reduzindo a liquidez das garantias e afetando a capacidade de captação até mesmo de negócios operacionalmente saudáveis.

A eficácia dos processos de reorganização esbarra em gargalos operacionais e custos associados à Lei de Falências e Recuperação Judicial (Lei nº 11.101/2005). A complexidade dos ritos, os honorários de administração judicial e a morosidade no julgamento de habilitações de crédito impactam diretamente o capital de giro, afetando desproporcionalmente micro e pequenas empresas e pequenos produtores rurais. Paralelamente, fundos de investimento focados em ativos estressados têm atuado na aquisição de créditos descontados para prover liquidez imediata aos credores, embora analistas destaquem que essas estruturas apenas precificam o prejuízo existente sem absorver o risco sistêmico do mercado.

O acompanhamento dos dados dos próximos trimestres indicará se a tramitação dos processos em andamento resultará no reequilíbrio operacional das companhias ou no aumento das conversões em falência.

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