

Crescimento da IA faz TI disparar em 2025, mas 2026 já preocupa
Demanda por hardware e inteligência artificial impulsiona setor, enquanto cenário global e doméstico aponta desaceleração no próximo ano
INFRAESTRUTURAMERCADOINTELIGÊNCIA ARTIFICIALTECNOLOGIA
Por Redação InfoDot
4/9/20263 min read
Mudanças tecnológicas costumam acelerar mercados de forma imprevisível, especialmente quando novas demandas surgem em escala global. Foi exatamente esse movimento que levou o setor de tecnologia da informação no Brasil a registrar um desempenho muito acima das expectativas em 2025.
Dados divulgados pela Associação Brasileira de Software (ABES), nesta terça-feira, 31/3, mostram que o mercado de TI cresceu 18,5% no país, superando com folga a projeção inicial de 9,5% feita pela IDC. O avanço praticamente dobrou a expectativa e levou o setor a movimentar cerca de R$ 338 bilhões. Em dólares, o volume chegou a US$ 67,8 bilhões em 2025, acima dos US$ 58,6 bilhões registrados em 2024. No cenário global, o crescimento foi de 14,1%, também superior à estimativa de 8,9%.
O principal motor desse desempenho foi o segmento de hardware, responsável por 47,9% das vendas totais no período. A área avançou 20,6%, somando US$ 32,5 bilhões, impulsionada pela renovação da base tecnológica e pela forte demanda relacionada à inteligência artificial e à expansão de data centers, conforme avaliação de Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo.
Outros componentes do setor também apresentaram resultados relevantes. O mercado de software cresceu 21,4%, atingindo US$ 21,7 bilhões, enquanto o segmento de serviços registrou alta de 9,7%, totalizando US$ 13,6 bilhões no ano.
Apesar do desempenho expressivo em 2025, as perspectivas para o próximo ciclo indicam um cenário mais moderado. A IDC projeta crescimento de 5,3% no Brasil em 2026 e de 9,7% no mundo. Entre os fatores que explicam essa desaceleração estão, no contexto internacional, a guerra do Irã e as tensões geopolíticas. Já no ambiente doméstico, pesam o ano eleitoral, os feriados e a realização da Copa do Mundo.
Diante dessas projeções, Sukarie Neto manifestou cautela. “Torço para não ser essa queda prevista”, diz Sukarie Neto. Questionado sobre a ausência do Redata e seus impactos, o executivo reconhece que os investimentos podem sofrer redução, mas não devem ser interrompidos. “O Brasil podia ter muito mais com o incentivo, mas ainda teremos aportes aqui”, pontua.
Mesmo com as incertezas, o país manteve sua relevância no cenário global, ocupando a 10ª posição no ranking mundial de investimentos em tecnologia da informação e consolidando-se como o principal mercado emergente do setor. Na América Latina, ampliou sua participação de 34,7% para 38,4%, reforçando a liderança regional.
No segmento de TIC, o Brasil aparece na nona posição mundial, com investimentos que somam US$ 97 bilhões, o equivalente a R$ 500 bilhões. A ABES informou ainda que os dados completos da pesquisa serão apresentados em uma transmissão ao vivo aberta ao público no canal da entidade no YouTube, nesta terça-feira, a partir das 8:30 da manhã.
Entre avanços expressivos e expectativas mais contidas, o setor de tecnologia mostra que crescimento acelerado e incerteza podem caminhar juntos, e que a capacidade de adaptação é o que define a sustentabilidade no longo prazo.






