Crise energética e conflitos abrem caminho para o Brasil ganhar espaço no mercado de dados

A combinação de estabilidade territorial, energia limpa e mudanças no cenário global reposiciona o país como destino estratégico para infraestrutura digital.

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Por Redação InfoDot

4/17/20262 min read

Em um mundo cada vez mais instável, decisões sobre onde investir deixaram de ser apenas técnicas e passaram a considerar riscos mais amplos. Segurança, disponibilidade de recursos e previsibilidade agora pesam tanto quanto tecnologia. Dentro dessa lógica, o Brasil começa a ganhar relevância como possível destino para data centers.

O tema foi discutido no Brasscom TecForum Pocket, realizado na terça-feira, 14/4, em Brasília, onde Alexandre Machado, gerente executivo da unidade de negócios internacionais do Banco do Brasil, avaliou que o país reúne condições para ampliar sua participação no mercado global de serviços digitais. A análise leva em conta fatores geopolíticos, energéticos e de segurança que vêm influenciando decisões no setor.

Durante o encontro, que abordou caminhos para fortalecer a inserção do Brasil nesse mercado, tanto por empresas nacionais quanto por multinacionais, Machado destacou que os data centers tendem a ir além da função de suporte tecnológico. “Um data center, em algum momento, será um agente exportador. Vai armazenar dados de empresas de outros países”, afirmou.

Transformações recentes no cenário internacional reforçam essa perspectiva. Nos Estados Unidos, alguns estados já começaram a limitar a instalação de novas estruturas desse tipo, principalmente devido à pressão sobre o consumo de energia. Ao mesmo tempo, a demanda global por processamento e armazenamento segue em expansão, criando espaço para que outros países se consolidem como alternativas.

Nesse contexto, a matriz energética brasileira surge como um dos pontos favoráveis. “O Brasil tem uma matriz energética considerada verde, o que é uma grande oportunidade”, afirmou o executivo.

Outro fator relevante é a mudança na forma como os riscos são avaliados. Se antes a maior preocupação girava em torno da cibersegurança, agora a integridade física das estruturas também passou a ser considerada, especialmente diante de um ambiente internacional mais instável.

Machado enfatizou esse aspecto ao dizer: “Hoje a questão física importa. Dependendo de onde ele está, pode ser alvo de ataque, e isso pode prejudicar ou até levar empresas à falência”.

Com esse conjunto de variáveis, o Brasil passa a ser visto como uma alternativa relativamente mais segura em comparação a regiões expostas a conflitos. “Diante dos riscos de guerra, o país se torna um porto seguro, ou mais seguro que outros”, completou.

À medida que os dados se tornam ativos centrais da economia, o local onde eles são armazenados pode redefinir o equilíbrio global de poder tecnológico.

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