Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Dados do Caged expõem o pior outubro desde 2020 e preocupam economistas

As novas estatísticas do mercado de trabalho mostram forte desaceleração na criação de vagas formais no mês

TECNOLOGIAMERCADO

Por Redação InfoDot

11/30/20253 min read

Pensar no ritmo da economia brasileira sempre leva a questionamentos sobre como o mercado de trabalho reage às mudanças do cenário. Essa reflexão ganha força com os resultados divulgados nesta quinta-feira (27), quando o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou que o país abriu apenas 85.147 vagas formais em outubro, desempenho considerado o pior para o mês desde o início da série do Novo Caged, em 2020.

Em meio aos dados consolidados, o Ministério do Trabalho e Emprego registrou 2.271.460 admissões e 2.186.313 desligamentos. O saldo acabou distante do esperado por economistas consultados pela Reuters, que projetavam a criação líquida de 105.000 postos. No mesmo período de 2024, o mercado havia apresentado uma abertura de 131.424 empregos.

No acumulado entre janeiro e outubro, o número de novas vagas chegou a 1.800.650, volume inferior ao observado em 2024, quando o saldo do mesmo intervalo encerrou em 2.126.843. O resultado deste ano também aparece como o terceiro pior dentro da série histórica mais recente.

Entre os cinco grupamentos de atividades econômicas, somente dois conseguiram registrar desempenho positivo. Os serviços se destacaram com 82.436 novas posições, enquanto o comércio abriu 25.592 vagas. Em contrapartida, a construção civil apresentou fechamento de 2.875 postos, e tanto a agropecuária quanto a indústria encerraram outubro com retração de 9.917 e 10.092 vagas, respectivamente, considerando dados ainda sem ajustes por declarações entregues fora do prazo.

Ao comentar os números, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, citou fatores sazonais ligados ao setor agropecuário como parte da explicação para o resultado mais fraco. Ele voltou a defender que o Banco Central avalie a possibilidade de flexibilizar sua política monetária, argumento sustentado pela necessidade de preservar o nível de atividade econômica e a geração de empregos. O ministro também destacou medidas que, em sua visão, tendem a impulsionar o cenário em 2026.

“Acredito sinceramente que algumas decisões tomadas vão ajudar o ano que vem na economia, em particular o aumento real do salário mínimo que acontecerá a partir de janeiro também. Pelos dados do arcabouço, crescimento real de 2,5%”, afirmou. “Teremos também a isenção do Imposto de Renda, isso também vai ajudar a economia.”

A análise do economista sênior do Inter, André Valério, reforçou a percepção de perda de fôlego no mercado de trabalho. Ele observou que a tendência acompanha resultados da Pnad e aponta que o nível de emprego pode estar próximo do pico recente.

“O Caged reforça essa visão, com a média móvel de 6 meses das admissões mantendo tendência de queda”, disse em nota. “Ainda assim, esperamos que o mercado de trabalho mantenha robustez no restante desse ano e ao longo do ano que vem, perdendo dinamismo de maneira gradual. Esperamos uma taxa de desemprego de 5,5% ao final desse ano e de 6,4% ao final de 2026.”

Na mesma entrevista, Marinho revelou que pretende apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro trimestre de 2026, uma proposta para liberar valores retidos no Fundo de Garantia por adesão ao saque aniversário.

“Ainda tem o pedido de trabalhadores hoje com seu Fundo de Garantia retido mesmo demitidos. Uma ordem de 13 milhões, por conta da lei do saque aniversário”, disse. “Tem possibilidade de, no começo do ano, a gente criar condição, discutir com o presidente de novo e liberar esses recursos.”

Mesmo em um cenário desafiador, cada dado reforça a importância de observar com atenção os movimentos do mercado de trabalho.

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