DADOS QUE VALEM - O Retorno Financeiro da Proteção de Dados

Como a proteção de dados impacta custos, valuation, contratos e crescimento das empresas.

TECNOLOGIACIBERSEGURANÇA

Por Ismael Junior, fundador da Arrow Security

1/8/20265 min read

Todo dia 28 de janeiro, o mundo celebra o Dia Internacional da Proteção de Dados, uma data que vai muito além do simbolismo. Ela marca a assinatura, em 1981, da Convenção 108 do Conselho da Europa, o primeiro tratado internacional a reconhecer que dados pessoais são um ativo que precisa de proteção jurídica, técnica e estratégica.

Mais de quatro décadas depois, esse legado se reflete em legislações modernas como a LGPD no Brasil, reforçada pela atuação da ANPD, e em uma constatação inevitável para o mundo corporativo: privacidade e proteção de dados deixaram de ser tema jurídico para se tornarem decisão de negócio.

Durante anos, proteção de dados e compliance foram tratados como centros de custo. Um item necessário, mas desconectado da geração de valor.

Essa visão ficou ultrapassada.

Hoje, em um cenário onde a coleta e o uso de dados crescem exponencialmente, assim como os riscos de incidentes, vazamentos e sanções, empresas líderes entenderam que demonstrar conformidade, transparência e maturidade em proteção de dados é condição para gerar confiança, fechar contratos e acessar capital.

Enquanto alguns ainda enxergam compliance como obrigação regulatória, outros estão:
• Fechando contratos que concorrentes perderam
• Recebendo valuations maiores em rodadas de investimento e M&A
• Pagando menos por seguros e linhas de crédito
• Construindo marcas que o mercado confia

Os números confirmam, dados protegidos geram retorno financeiro real.

O custo real de não proteger dados

O impacto financeiro de um incidente de dados deixou de ser hipotético, ele é mensurável, recorrente e crescente.

De acordo com o Cost of a Data Breach Report 2024, da IBM, o custo médio global de uma violação de dados chegou a US$ 4,88 milhões, o maior valor já registrado na série histórica.

No Brasil, o cenário é igualmente preocupante. O custo médio por incidente atingiu R$ 7,19 milhões, podendo ultrapassar R$ 11,4 milhões em setores altamente regulados, como Saúde.

Esses valores incluem:
• Resposta técnica e contenção
• Notificações regulatórias
• Custos legais e jurídicos
• Perda de receita e paralisações
• Recuperação de sistemas e imagem

E há um dado estratégico, empresas que já utilizavam automação, IA e controles maduros de segurança reduziram significativamente o impacto financeiro pós incidente.

Ou seja, investir antes custa menos do que remediar depois.

Fonte: IBM Cost of a Data Breach Report 2024; Ministério Público do Mato Grosso.

Reputação, mercado e valor em bolsa

Além do impacto operacional direto, a exposição pública de um incidente afeta de forma imediata o valor percebido da empresa.

Estudos mostram que organizações com baixa maturidade em cibersegurança sofrem, em média, queda de 7,5% no preço de suas ações após um ataque divulgado publicamente.

Mais do que uma reação momentânea, o mercado responde com cautela prolongada:
• Revisão de expectativas de crescimento
• Questionamento da governança
• Redução de confiança institucional

Levantamentos indicam que 70% das empresas listadas revisaram projeções financeiras após incidentes relevantes, desviando recursos de inovação e expansão para resposta emergencial e recuperação.

Fonte: Security Leaders; TI Inside.

Valuation, M&A e acesso a capital

A proteção de dados tornou se um fator silencioso, porém decisivo, em rodadas de investimento, fusões e aquisições.

Processos de due diligence cada vez mais rigorosos mostram que falhas em governança de dados e cibersegurança podem reduzir valuations entre 7% e 12%, além de atrasar ou até cancelar transações.

Para investidores e compradores estratégicos, maturidade em proteção de dados significa:
• Menor risco oculto
• Menor passivo regulatório
• Maior previsibilidade financeira

Na prática, empresas com controles robustos:
• Recebem menos exigências de desconto
• Têm negociações mais rápidas
• Transmitem confiança institucional

A segurança deixou de ser apenas técnica. Ela passou a ser um ativo financeiro.

Fonte: Cyooda, Cybersecurity in M&A.

Seguros, crédito e custo de capital

O mercado de cyber insurance é um termômetro claro dessa mudança.

Os pagamentos de sinistros por ataques cibernéticos triplicaram nos últimos anos, levando seguradoras a endurecer critérios de aceitação e precificação.

Hoje:
• Empresas com controles frágeis pagam prêmios mais altos
• Muitas enfrentam exclusões severas de cobertura
• Outras sequer conseguem seguro

Por outro lado, organizações com políticas sólidas de proteção de dados:
• Pagam menos em seguros
• Conseguem melhores condições de crédito
• Reduzem seu custo de capital

Segurança passou a ser critério financeiro, não apenas técnico.

Fonte: ITPro, Cyber Insurance Market.

Proteção de dados como motor de crescimento

A discussão deixou de ser defensiva. Estudos recentes mostram que a cibersegurança também gera valor.

Pesquisas globais indicam que iniciativas maduras de governança e proteção de dados podem adicionar entre 11% e 20% de valor a projetos estratégicos, representando cerca de US$ 36 milhões em valor agregado por iniciativa.

Além disso:
• Conselhos e diretorias planejam aumentar investimentos em proteção de dados e governança
• Segurança passou a ser habilitadora de novos negócios, não barreira

Empresas mais seguras:
• Entram em mercados regulados
• Atendem requisitos de grandes contratos corporativos
• Escalam com menos risco

Fonte: EY; BDO Board Survey 2025.

Vantagem competitiva e confiança de mercado

Na prática, a proteção de dados gera ganhos claros:
• Contratos fechados onde concorrentes foram desclassificados
• Menor churn após incidentes no mercado
• Marcas associadas a confiança e solidez

Clientes, parceiros e investidores fazem escolhas baseadas em risco.

E risco hoje está diretamente ligado à forma como dados são tratados e protegidos.

Conclusão, a conta que realmente importa

A pergunta mudou.

Não é mais:
“Quanto custa investir em proteção de dados?”

Mas sim:
“Quanto estamos deixando de ganhar por não investir?”

Empresas que tratam proteção de dados como estratégia:
• Reduzem perdas financeiras
• Aumentam valuation
• Pagam menos em seguros e crédito
• Ganham mercado e confiança
• Protegem receita, reputação e futuro

Os números são claros.
O mercado já precificou isso.

Dados protegidos não são apenas seguros.
São dados que valem.

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Ismael Júnior é fundador da Arrow Security, empresa especializada em cibersegurança.

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