É o fim da emoção genuína?

A emoção só existe quando acreditamos no imprevisível. E talvez esse seja o maior desafio de uma era marcada pela desconfiança.

MERCADOCULTURATECNOLOGIA

Por Manoel A. P. Neto | InfoDot | MoOve On | Avizzo

7/14/20263 min read

Poucos acontecimentos conseguem unir o Brasil como uma Copa do Mundo.

A cada quatro anos, durante algumas semanas, pouco importa a profissão, a idade ou a cidade onde vivemos. Vestimos a mesma camisa, discutimos escalações, fazemos previsões e, principalmente, acreditamos.

Talvez seja exatamente essa a maior força do futebol: a esperança.

A esperança de que o próximo jogo será diferente. De que aquele gol vai acontecer. De que, finalmente, o tão sonhado hexacampeonato chegará.

E, se existe alguém que vive essa esperança de forma ainda mais verdadeira, são as crianças. Elas imaginam, sonham e comemoram antes mesmo do resultado final. Mas quando a eliminação acontece, elas também sofrem de uma maneira que muitos adultos já esqueceram como é sentir.

Nos últimos anos, porém, uma reflexão tem chamado minha atenção.

Cada vez mais, as conversas durante e depois dos jogos deixam de falar apenas do futebol. Falam de apostas esportivas, de possíveis interesses financeiros, de decisões da arbitragem, interpretações, teorias e de tudo aquilo que faz muitas pessoas se perguntarem se o resultado de um jogo representa apenas aquilo que aconteceu dentro de campo.

Claro que não cabe aqui julgar o que é verdade ou não. Essa não é a questão. A provocação é outra.

O que acontece quando a dúvida começa a ocupar o espaço da emoção?

Quando deixamos de assistir acreditando para assistir desconfiando e quando a expectativa dá lugar ao ceticismo?

Talvez o maior prejuízo não esteja no esporte. Talvez esteja em nós.

Porque a emoção genuína nasce justamente da incerteza. Ela existe porque não sabemos o que vai acontecer e porque acreditamos que tudo ainda é possível.

De certa forma, vejo que isso também acontece no mundo dos negócios.

Grandes projetos começam porque alguém acreditou. Empresas surgem porque pessoas enxergaram possibilidades antes de enxergar resultados. Parcerias são construídas porque existe confiança. Equipes entregam mais quando existe propósito. Relacionamentos prosperam quando existe credibilidade.

Assim como no esporte, os negócios também vivem de expectativa. Da emoção de construir algo que ainda não existe.

Quando a desconfiança passa a ocupar todos os espaços, algo muito maior começa a desaparecer: a capacidade de acreditar.

Não estou falando de ingenuidade, mas sim da coragem de continuar sonhando, inovando e construindo, mesmo em um mundo cada vez mais complexo.

Talvez seja por isso que continuamos torcendo.

Pela Seleção, mas também pela possibilidade de viver, novamente, aquela emoção que nos faz levantar do sofá, abraçar quem está ao lado e esquecer, por alguns instantes, todas as diferenças.

Porque emoção genuína conecta. E tudo aquilo que conecta pessoas também transforma mercados, empresas e negócios.

Eu continuo acreditando.

Porque grandes conquistas, dentro ou fora de campo, sempre começam da mesma maneira.

Com esperança.

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