Efeito dominó no sistema financeiro leva Will Bank à liquidação extrajudicial

A autoridade monetária aponta insolvência da instituição e vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master, CDBs passam a contar com garantia do FGC até R$ 250 mil.

MERCADO

Por Redação InfoDot

1/21/20264 min read

Crises financeiras raramente surgem de forma isolada. Em geral, elas se expandem em cadeia, conectando instituições, estruturas societárias e decisões regulatórias que, aos poucos, revelam sua dimensão real. Foi dentro dessa lógica que o Banco Central do Brasil decidiu, nesta quarta-feira (21), decretar a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida no mercado como Will Bank.

A medida decorre diretamente da liquidação do Banco Master, formalizada em novembro de 2025. O ato foi assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e fundamenta-se no comprometimento da situação econômico-financeira, na insolvência e no vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master sobre a Will Financeira.

Com a decretação da liquidação extrajudicial, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela Will Financeira passam a estar cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitado o limite de R$ 250 mil por CPF. Procurado, o FGC não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O Fundo Garantidor de Créditos iniciou, nesta semana, os pagamentos referentes aos CDBs do Banco Master. O Fundo Garantidor de Créditos iniciou, nesta semana, os pagamentos referentes aos CDBs da instituição, após um intervalo de dois meses. A estimativa é de um desembolso de aproximadamente R$ 40,6 bilhões, destinado a cerca de 800 mil investidores, configurando o maior pagamento de garantia já realizado pelo fundo. Até agora, aproximadamente 600 mil solicitações foram registradas, e 448 mil credores concluíram o pedido de ressarcimento.

Para conduzir o processo, o Banco Central nomeou como liquidante a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., a mesma responsável pela liquidação do Banco Master. Em decorrência do regime especial, tornaram-se indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira, entre eles Daniel Vorcaro, Armando Miguel Gallo Neto, Felipe Wallace Simonsen, Will Holding Financeira, Master Holding Financeira e 133 Investimentos e Participações.

Além desses nomes, também tiveram os bens bloqueados os ex-administradores Felipe Felix Soares de Sousa e Ricardo Saad Neto, conforme comunicado oficial da autoridade monetária.

A liquidação da Will Financeira amplia os efeitos do processo iniciado contra o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada em 18 de novembro de 2025. A iniciativa integra o conjunto de ações adotadas pelo Banco Central para encerrar as atividades de instituições consideradas insolventes e, ao mesmo tempo, preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional.

A liquidação extrajudicial é adotada quando o Banco Central conclui que a situação da instituição é irrecuperável. As operações são interrompidas, o banco é retirado do Sistema Financeiro Nacional e os bens dos controladores e antigos administradores ficam indisponíveis. Trata-se de um mecanismo distinto da administração especial temporária, na qual as atividades continuam, ainda que os dirigentes percam seus mandatos.

Fundado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos. No mesmo período, registrou prejuízo de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido próximo de R$ 300 milhões, de acordo com informações do Banco Central. Em setembro, a instituição contabilizava R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não mantinha depósitos à vista.

Quando o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a Will Financeira havia sido preservada. Na ocasião, o regulador avaliou que existiam potenciais interessados na aquisição do negócio, o que permitiria manter a instituição sob regime de administração especial temporária por até 120 dias. A operação de venda, entretanto, não avançou.

Embora integre o conglomerado do Master, o Will Bank opera sob a licença do Banco Master Múltiplo, que não foi liquidado. O Banco Central submeteu o Master Múltiplo ao Regime de Administração Especial Temporária, instrumento que mantém as operações em funcionamento enquanto se busca uma reestruturação.

Antes mesmo da formalização da liquidação, a bandeira Mastercard deixou de autorizar transações realizadas com cartões emitidos pelo Will Bank. A decisão ocorreu após o não cumprimento de obrigações junto a participantes do arranjo de pagamentos. A Mastercard também executou garantias relacionadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista Westwing e no BRB, o Banco de Brasília.

Em um sistema baseado na confiança, cada intervenção regulatória reforça a ideia de que estabilidade financeira é construída com vigilância constante e decisões firmes.

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