

Entenda por que os brasileiros injetaram quase R$ 15 bilhões no Tesouro Direto em um único mês
A atratividade das taxas Selic elevadas aliada à simplificação de produtos financeiros reforça a migração do pequeno investidor para papéis públicos de menor risco.
ECONOMIAMERCADO
Por Redação InfoDot
7/31/20263 min read
O apetite por rentabilidade garantida em patamares elevados impulsiona marcos históricos no mercado de renda fixa nacional. As transações operadas via internet no Tesouro Direto somaram R$ 14,76 bilhões em junho, alcançando a segunda maior marca mensal da série histórica desde a implementação do programa, conforme balanço publicado pelo Tesouro Nacional no dia 28. O montante captado situou-se a uma margem de R$ 30 milhões do topo histórico verificado em março, quando as emissões totalizaram R$ 14,79 bilhões.
A aceleração do volume transacionado teve como vetor principal o Tesouro Reserva, aplicação recém-lançada que reproduz a dinâmica das ferramentas de alocação automática de instituições digitais. Atrelado à taxa básica de juros, o instrumento captou R$ 2,09 bilhões no período, fatia correspondente a 14,2% do desempenho global do mês.
Frente ao mês de maio, ocasião em que as negociações computaram R$ 10,22 bilhões, a expansão atingiu 44,51%. No confronto interanual com o mês de junho do ano anterior, o crescimento escalou 156,03%.
O cenário de Selic fixada em 14,25% ao ano manteve a preferência majoritária por papéis pós-fixados, representatividade que abarcou 54,5% das aquisições mensais. Nesse nicho, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) responderam por R$ 4,16 bilhões, equivalendo a 28,2% do consolidado. Títulos indexados à inflação pelo IPCA sustentaram participação de 34,3%, impulsionados pelas projeções de pressão nos índices de preços em prazos futuros. Os ativos pré-fixados abocanharam 16,7% do volume. Em contrapartida, soluções voltadas a metas de longo prazo registraram movimentação mais modesta: o Tesouro Renda+, estruturado para previdência complementar, absorveu 4,6% das inversões, enquanto o Tesouro Educa+, focado no custeio do ensino superior, obteve 2%.
O saldo consolidado sob custódia do Tesouro Direto atingiu R$ 262,47 bilhões no encerramento de junho, avanço de 4,57% ante o mês imediatamente anterior e de 45,53% em 12 meses. A expansão do estoque reflete a incorporação do rendimento das taxas e o superávit de R$ 10,1 bilhões entre vendas e resgates efetuados no mês.
A plataforma contabilizou a entrada de 261.877 novos participantes em junho, expandindo a base cadastral para 35.853.678 inscritos, variação positiva de 9,53% no acumulado de 12 meses. O universo de investidores ativos, que mantêm posições abertas na carteira, atingiu 3.689.486 usuários, avanço de 21,19% no mesmo comparativo temporal.
A pulverização em aplicações de baixo valor segue caracterizando a dinâmica das transações. Das 1.530.276 operações efetuadas no período, 75,4% compreenderam aportes de até R$ 5 mil, sendo que 50,7% do total não ultrapassaram a marca de R$ 1 mil. O ticket médio apurado no mês ficou em R$ 9.648,34.
Quanto à maturidade dos papéis emitidos, a preferência concentrou-se nos vencimentos intermediários de cinco a dez anos, com fatiamento de 45,7%. Ativos com prazo de vencimento inferior a cinco anos responderam por 37,9%, enquanto os títulos com prazos superiores a uma década absorveram 16,4% das escolhas.
Os resultados evidenciam que a combinação entre juros elevados, simplicidade operacional e segurança continua fortalecendo a migração do pequeno investidor para os títulos públicos, consolidando o Tesouro Direto como uma das principais portas de entrada para a renda fixa no Brasil.






