Escaneamento de íris, palma da mão e IA: a corrida para provar quem é humano

Ferramentas de validação digital se expandem globalmente, impulsionadas pelo crescimento de conteúdos sintéticos e novas demandas por segurança online.

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Por Redação InfoDot

2/9/20264 min read

Garantir autenticidade no ambiente virtual tornou-se um desafio crescente diante da rápida evolução tecnológica. A multiplicação de conteúdos automatizados e identidades artificiais elevou a necessidade de mecanismos capazes de confirmar a presença humana nas plataformas digitais. Nesse contexto, soluções biométricas passam a assumir papel central na validação de usuários.

O debate ganhou destaque nacional entre o fim de 2024 e o início de 2025, quando a World, protocolo ligado à Tools for Humanity, empresa fundada por Sam Altman, da OpenAI, gerou repercussão ao oferecer tokens para pessoas que realizassem prova de humanidade utilizando um equipamento chamado Orb.

Mesmo após a repercussão inicial, a organização continuou realizando verificações no Brasil, porém sem manter a compensação financeira. O episódio exemplifica a crescente busca por dados biométricos em um cenário marcado pelo avanço de conteúdos e identidades digitais simuladas, ainda que a expansão dessas tecnologias desperte questionamentos éticos.

Em entrevista, à época, Ronaldo Lemos, especialista em tecnologia, destacou que a “Coleta da íris é só uma dentre várias formas de escaneamento biométrico”. Para ele, a empresa percebeu rapidamente que a discussão sobre identidade digital tende a se tornar central, especialmente diante da dificuldade de comprovar a autenticidade de indivíduos em ambientes online onde simulações se tornam cada vez mais sofisticadas.

Além da validação de usuários, essas soluções passam a integrar outras aplicações digitais relevantes. Guilherme Ribenboim, CRO da Unico, idtech entre as pioneiras no Brasil no tema, afirma que “chegamos a um ponto em que validar a identidade não é mais uma etapa técnica, é a base da confiança no ambiente digital. A identidade digital é o novo ativo crítico da sociedade conectada.”

Durante o último ano, plataformas voltadas à verificação de identidade e comportamento foram responsáveis por evitar prejuízos estimados em R$ 3,2 bilhões. No segmento de pagamentos, a tecnologia avança para o varejo físico, como demonstra a prova de conceito desenvolvida pela Elo em parceria com a Tecban, que testa transações realizadas por meio da leitura da palma da mão, eliminando a necessidade de dispositivos físicos.

“Quando o pagamento acontece com um gesto tão humano quanto estender a mão, sabemos que estamos no caminho certo. A biometria palmar traduz confiança em uma experiência intuitiva, segura e sem barreiras.”, explica Eduardo Merighi, CTO da Elo, reforçando o aspecto humano da tecnologia.

O reconhecimento da íris também integra esse movimento tecnológico. Estimativas indicam que o mercado global desse segmento deve crescer de US$ 5,14 bilhões em 2025 para US$ 12,92 bilhões até 2030, representando expansão anual de 20,23%. Um dos principais avanços recentes é o Liveness Detection, tecnologia baseada em inteligência artificial que analisa micromovimentos e reflexos, permitindo distinguir humanos reais de bots ou reproduções em alta definição, sendo considerada o padrão ouro contra automações maliciosas.

Outra frente envolve o combate a perfis falsos e interações automatizadas em plataformas digitais. Serviços de grande escala, como o Roblox, passaram a implementar verificação compulsória de idade, utilizando estimativas faciais para segmentar interações e ampliar a proteção de menores, transformando a biometria em requisito para determinadas funcionalidades sociais online.

Sobre essa tendência, Stephen Balkam, CEO do Family Online Safety Institute, afirma que “ferramentas proativas como a estimativa de idade são essenciais para construir um mundo digital mais seguro e positivo para crianças e adolescentes. A abordagem baseada em riscos é um ótimo exemplo de inovação responsável.”

Mesmo com a ampla adesão, 90% dos brasileiros preferem biometria a senhas tradicionais, o setor enfrenta desafios regulatórios. Dados do http://Cetic.br apontam que 60% dos usuários no Brasil demonstram receio em fornecer esse tipo de informação, o que tem impulsionado o desenvolvimento da Computação Confidencial, modelo no qual dados biométricos são processados em ambientes criptografados e isolados, impedindo que até mesmo o provedor do serviço tenha acesso às imagens brutas da íris ou do rosto dos usuários.

O futuro da identidade digital dependerá da capacidade de garantir confiança sem comprometer direitos fundamentais dos usuários.

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