Foto: EAFConecta

Estratégia simples faz programa crescer 150% em comunidades isoladas

Iniciativa da EAF aposta em tradução para idiomas indígenas e fortalece adesão ao programa de parabólicas digitais, com expansão para novas regiões.

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Por Redação InfoDot

4/17/20263 min read

Quando a tecnologia dialoga com a diversidade cultural, seus resultados deixam de ser apenas técnicos e passam a gerar inclusão concreta. Em um país marcado por múltiplas línguas e identidades, adaptar a comunicação pode definir quem acessa ou não determinados serviços. Esse princípio tem orientado o avanço recente da TV digital no Brasil.

No contexto das parabólicas digitais, o programa Brasil Antenado, coordenado pela EAF, vem adotando a tradução de materiais informativos para línguas indígenas como estratégia central. A iniciativa já oferece conteúdos em sete idiomas nativos e tem se consolidado como fator decisivo para ampliar o alcance em comunidades isoladas, registrando aumento significativo na adesão após a adoção da estratégia.

Voltado à oferta gratuita de acesso à TV digital, o programa passou a disponibilizar orientações em Munduruku, Ingarikó, Xavante, Macuxi, Iny Rybè, Guarani e Akwê. Segundo a EAF, a adaptação linguística tem sido determinante para superar barreiras históricas de comunicação e ampliar o engajamento em territórios tradicionais.

Na região Norte, os resultados são mais expressivos. Em Jacareacanga, no Pará, a adesão ao programa cresceu 150% após a disponibilização de materiais em Munduruku. Já em Uiramutã, em Roraima, município com a maior proporção indígena do país, o aumento foi de 124% com conteúdos em Macuxi e Ingarikó.

Com base nesses resultados, a estratégia começou a ser expandida para o Centro-Oeste. No Mato Grosso, foram lançados materiais em Iny Rybè e Xavante, enquanto no Mato Grosso do Sul houve tradução para o Guarani. A iniciativa busca alcançar aldeias com famílias inscritas no Cadastro Único, CadÚnico, ampliando o acesso à política pública.

Além disso, o programa também avança em Minas Gerais, com a implementação de conteúdos na língua Akwê, falada pelo povo Xakriabá, maior comunidade indígena do estado, concentrada no município de São João das Missões, com cerca de 8 mil habitantes.

A expectativa é replicar, nessas regiões, o mesmo padrão observado no Norte, garantindo que a migração para o sinal digital aberto alcance populações historicamente menos atendidas.

Para a CEO da EAF, Gina Marques, a iniciativa reforça a importância de alinhar tecnologia e diversidade cultural. “Eliminar obstáculos, sejam eles técnicos, geográficos ou linguísticos, é a nossa missão prioritária. Quando traduzimos nossa comunicação para as línguas originárias, asseguramos que a tecnologia respeite a identidade de cada povo e que ninguém seja deixado para trás na transição para o futuro digital”, afirmou.

No fim, incluir diferentes vozes no acesso à tecnologia é o que transforma inovação em pertencimento.

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