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Estudo revela que 70% dos adultos com mais de 50 anos cuidam dos filhos e dos pais

A sobreposição entre suporte financeiro a filhos e cuidado de pais idosos impacta a saúde, reduz o tempo para autocuidado e redefine a dinâmica de consumo da população acima de 50 anos no Brasil.

SAÚDECULTURA

Por Redação InfoDot

10/16/20263 min read

O avanço da expectativa de vida e as transformações na dinâmica das famílias brasileiras consolidaram o fenômeno da chamada "geração sanduíche", formada por indivíduos com mais de 50 anos que respondem simultaneamente pelo sustento financeiro e pelo cuidado de diferentes gerações familiares. Dados do estudo Tsunami Prateado 2026, conduzido pelo Data8, revelam que sete em cada dez brasileiros nessa faixa etária exercem papel de cuidadores ou responsáveis por parentes, dividindo-se entre apoio a cônjuges (38%), filhos (23%), pais (21%) e netos (5,5%). Essa sobrecarga estende a presença de dependentes dentro do lar, com 40% das pessoas do grupo convivendo com filhos na mesma residência e 36% mantendo a mãe viva, cenário que comprime o tempo e o orçamento destinados ao próprio envelhecimento.

A concentração de responsabilidades na população madura redefine a interpretação sobre a Economia Prateada, segmento que movimenta R$ 1,8 trilhão e abrange uma população estimada em 62 milhões de pessoas no país em 2026. Em um período de oito anos, a proporção de brasileiros 50+ envolvidos no cuidado familiar saltou de 37% para 57%, convertendo parte substancial do orçamento individual em consumo intergeracional. No campo financeiro, 36% prestam auxílio aos filhos, 30% aos cônjuges e 18% aos pais, além de 16% gerenciarem contas de terceiros por aplicativos bancários. Esse compartilhamento de renda ocorre em paralelo a uma lacuna de mercado: 33% dos entrevistados relatam falta de produtos e serviços adequados à sua faixa etária, com destaque para insatisfações em vestuário e calçados (35%), turismo (28%), nutrição específica (26%) e suplementos (24%).

A sobreposição entre trabalho remunerado e rotina de cuidados reflete-se na deterioração da saúde física e mental desse contingente, que apresenta prevalências de hipertensão (39%), ansiedade (23%), obesidade ou sobrepeso (21%) e depressão (8%), além de baixos índices de prática regular de exercícios. Diante da reduzida margem para o autocuidado, especialistas apontam que a mitigação do impacto individual depende da construção de políticas públicas de suporte e infraestrutura de cuidados pelo Estado, bem como do planejamento prévio da longevidade. A sustentabilidade desse ciclo exige o alinhamento de três dimensões essenciais ao longo da vida: o período vivido com saúde e autonomia (healthspan), a janela de capacidade produtiva (workspan) e a segurança dos recursos financeiros acumulados (moneyspan).

A transição demográfica brasileira exige que o setor público e o mercado adaptem suas estruturas para apoiar o cuidador familiar e garantir a sustentabilidade financeira da longevidade.

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