

Exportações do Brasil para os Estados Unidos recuam 23% no primeiro bimestre
A retração de 23,2% no início de 2026 reflete o impacto de sobretaxas severas e o menor volume de embarques de commodities estratégicas.
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Por Redação InfoDot
3/16/20263 min read
A estabilidade das relações comerciais entre as grandes potências do continente atua como um termômetro vital para a saúde econômica regional, ditando o ritmo de crescimento de setores que vão da agricultura à indústria pesada. No entanto, o fluxo de mercadorias entre Brasil e Estados Unidos enfrenta um período de forte turbulência.
De acordo com o relatório Monitor do Comércio Brasil–EUA, publicado pela Amcham Brasil nesta terça-feira, 10 de março, as exportações brasileiras para o mercado norte-americano atingiram US$ 2,5 bilhões em fevereiro de 2026. O montante representa um declínio de 20,3% em relação ao mesmo mês de 2025, consolidando um cenário desafiador para os exportadores nacionais.
No fechamento do primeiro bimestre deste ano, o faturamento total das vendas externas para os EUA somou US$ 4,9 bilhões. Este desempenho indica uma contração de 23,2% na comparação anual, o que significa que o país deixou de arrecadar US$ 812 milhões no período. Este é o nível mais baixo para os meses de janeiro e fevereiro desde 2023, resultado de uma combinação de volatilidade de mercado e barreiras alfandegárias rigorosas que perduraram até o final do mês passado.
A trajetória descendente não é recente, uma vez que o comércio bilateral registra sete meses seguidos de perdas, ciclo iniciado em agosto de 2025. Naquela época, o governo americano impôs tarifas de importação que variaram entre 40% e 50% sobre diversos itens brasileiros.
Embora a Suprema Corte dos Estados Unidos tenha invalidado essas sobretaxas no final de fevereiro por considerá-las ilegais, o presidente Donald Trump respondeu com a criação de uma tarifa global de 10%. Como essa nova alíquota entrou em vigor apenas nos últimos dias de fevereiro, seus reflexos práticos nas estatísticas devem se tornar evidentes somente a partir de março.
A análise por categoria de produto revela que o tombo nas exportações foi impulsionado por itens de peso na balança. O petróleo bruto sofreu uma redução drástica de 80,7%, enquanto os derivados de petróleo caíram 42,2%, curiosamente em setores que não eram alvo das sobretaxas. O café, livre de tarifas desde novembro de 2025, também recuou 40%.
Já os produtos que estavam diretamente sob o regime de taxas de 40% e 50% até o fim de fevereiro apresentaram queda de 27,4% em fevereiro, com perdas ainda mais acentuadas em segmentos afetados pela Section 232, como os derivados de madeira.
Essa assimetria no fluxo comercial resultou em um agravamento do saldo negativo para o Brasil. O déficit comercial com os americanos saltou para US$ 900 milhões no primeiro bimestre de 2026, uma elevação de 142,3% em relação ao ano anterior.
Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, observa que os dados atuais ainda são reflexos do regime anterior à decisão da Suprema Corte.
Paralelamente, as importações de produtos americanos pelo Brasil também encolheram 16,5% em fevereiro, embora os Estados Unidos mantenham a posição de terceiro maior fornecedor do país, posicionando-se atrás da China e da Coreia do Sul.
O equilíbrio das trocas globais depende menos de muros tarifários e mais da previsibilidade que permite o planejamento de longo prazo.






