

Entrevista exclusiva com Dario Durigan, Secretário-Executivo do Ministério da Fazenda — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo
Fazenda discute novo programa de renegociação de dívidas para famílias com bancos
Proposta busca reduzir o peso das dívidas no orçamento das famílias e prevê negociação mais direta com bancos
ECONOMIAMERCADO
Por Redação InfoDot
4/1/20263 min read
Quando o orçamento aperta, pequenas decisões financeiras passam a ter grande impacto no dia a dia. Em meio ao avanço do endividamento, o governo federal começou a estruturar uma nova alternativa para aliviar a pressão sobre a renda das famílias.
Uma proposta inicial foi apresentada pelo Ministério da Fazenda a instituições financeiras com o objetivo de criar um programa voltado à renegociação de dívidas. A iniciativa pretende enfrentar o nível elevado de comprometimento da renda familiar com empréstimos, atualmente no maior patamar já registrado no país. Diferente do Desenrola, lançado em 2023, o novo modelo deve ter formato e nome distintos.
Dados do Banco Central indicam que 29,3% da renda das famílias está direcionada ao pagamento de dívidas, o maior nível desde o início da série histórica, em 2011. Esse indicador é considerado o principal sinal de alerta no cenário de endividamento.
Durante evento realizado na última quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mencionou preocupação com os efeitos desse cenário sobre o orçamento doméstico. Na ocasião, afirmou ter solicitado ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, o desenvolvimento de uma solução para o problema.
Ao comentar o tema, Lula reconheceu que parte das dívidas pode estar ligada à aquisição de bens como imóveis, mas destacou que gastos recorrentes de menor valor também contribuem para o acúmulo financeiro ao final do mês. "Aí a gente começa a ficar zangado: "Pô, trabalhei o mês inteiro, peguei meu salário e não sobrou nada". Aí quem que você xinga? O governo. É lógico. Porque o mundo é assim. Sabe, primeiro é Deus, porque tudo que dá errado ou dá certo é culpa de Deus também. E no governo é só o que dá errado. Eu sei que a cabeça das pessoas funciona assim", afirmou Lula, ao participar da inauguração de uma fábrica em Anápolis (GO).
Nesta segunda-feira, Dario Durigan se reuniu com representantes de entidades do sistema financeiro, incluindo Febraban, Federação Brasileira de Bancos, ABBC, Associação Brasileira de Bancos, Abecs, Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços, Zetta e Acrefi, Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento.
Ao longo do encontro, foi apresentada uma versão preliminar do programa, com foco em tornar o processo mais ágil do que o adotado no Desenrola. Diferentemente do modelo anterior, que envolvia leilões entre credores e adesão posterior por meio de plataforma digital, a nova proposta prevê negociação direta entre clientes e instituições financeiras.
Outro ponto considerado no desenho da iniciativa é a escolha de uma nova identidade para o programa, evitando a percepção de repetição, o que poderia impactar o comportamento de inadimplência. Assim como no Desenrola, a proposta contempla mecanismos de incentivo à participação dos bancos e condições mais favoráveis aos consumidores, como redução de taxas de juros. No programa anterior, parte das operações contou com garantia do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
Representantes do setor financeiro ficaram responsáveis por analisar a proposta e encaminhar sugestões ao Ministério da Fazenda, que demonstrou interesse em avançar rapidamente com a implementação. Até o momento, não está nos planos da equipe econômica adotar medidas como controle de juros, incluindo a fixação de teto para o crédito rotativo do cartão.
Em um cenário de endividamento crescente, encontrar soluções eficazes pode ser tão urgente quanto garantir que elas sejam sustentáveis no longo prazo.






