Floripa, Ostras e boa Música

Entre o mar, o vinho e a música baixa, Santo Antônio de Lisboa mostra que o verão começa quando tudo desacelera.

CULTURATECNOLOGIA

Por Marcos Trestin | Trestto

12/28/20254 min read

O bairro histórico de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis, tem um jeito próprio de desacelerar o mundo. As casas açorianas observam o mar como quem já viu muita pressa passar sem deixar saudade. Caminhei pela rua de pedra enquanto o sol se despedia devagar, tingindo tudo de dourado antigo. A pequena e charmosa igreja ali perto parecia vigiar a cena com indulgência, um sino discreto soou como quem lembra que ainda existe tempo, e ele não precisa ser usado por inteiro.

Sentei-me de frente para o mar, onde as mesas quase encostam na água, tão próximo como se quisessem ouvir melhor o que a maré cantava em nossos ouvidos. Um DJ, desses que entendem o silêncio, tocava lounge baixo, acolhedor. As picapes digitais faziam seu trabalho invisível, som limpo, quente, sem esforço. A tecnologia ali não gritava futuro, sussurrava. E nesse sussurro, a alma ia sendo levada para um lugar onde o pensamento caminha descalço e sem pressa.

As ostras chegaram primeiro. Abertas com cuidado, ainda cheirando a mar, repousavam sobre o gelo como pequenas catedrais salgadas. Ao lado, uma taça de espumante brut da Serra Gaúcha soltava suas borbulhas finas, frescas, quase distraídas. Um fio de limão, quase uma bênção, despertava a mineralidade das ostras, enquanto o vinho passava leve, limpando o sal do paladar. Cada ostra, seguida de um gole, era um mergulho curto e profundo, desses que renovam o fôlego sem bagunçar o cabelo.

Depois veio o peixe, novamente simples, novamente honesto. Grelhado com respeito, acompanhado de ervas frescas e azeite bom. Ao lado, a taça de Sauvignon Blanc genuinamente brasileiro, um Miolo Reserva, da Campanha Gaúcha, descansava sob as últimas luzes do dia, clara, vibrante, com aromas de frutas brancas, ervas e um leve aceno vegetal. O vinho apagava o sal deixado pelas ostras, abraçava a delicadeza do peixe e devolvia tudo em frescor. Era conversa boa, dessas que não precisam de tradução simultânea, apesar de o celular, esquecido sobre a mesa, insistir em sugerir hashtags e filtros.

Ignorei. Preferi confiar na precisão das picapes do DJ, na fé silenciosa da igreja ao fundo e na sabedoria do mar que estava ali muito antes de qualquer algoritmo. Entre um gole e outro, percebi que aquele som limpo não vinha só da tecnologia, mas da intenção, fazer a alma viajar sem sair do lugar.

Quando a noite finalmente chegou, não houve ruptura. Apenas continuidade. As luzes amareladas se acenderam devagar, refletindo no mar como pequenas promessas e a música seguiu baixa, fiel ao seu papel de acolher, não de disputar atenção. A igreja permaneceu ali, silenciosa, guardando tudo como quem aprova sem interferir. Santo Antônio de Lisboa ensina isso, o verão começa quando tudo entra em acordo, o vinho na temperatura certa, o sal ainda na boca, o mar respirando perto, a fé discreta ao fundo e a tecnologia trabalhando em silêncio para que a alma viaje sem precisar partir. Dá vontade de ficar mais um pouco. Ou de voltar amanhã.

Restaurantes

1. Freguesia Oyster Bar e Restaurante
Clássico para ostras frescas e frutos do mar.
🔹 Pratos principais: ostras frescas ~ R$60–120 (meia dúzia ou dúzia), moqueca de peixe ~ R$95–140.
🍷 Vinhos recomendados: Sauvignon Blanc (R$100–160), vinho verde português (R$120–180).
👉 Ideal para harmonizar com ostras e frutos do mar com vista para o mar.

2. Marisqueira Sintra
Tradição em pratos portugueses de peixe e marisco.
🔹 Pratos: arroz de polvo ~ R$140–180, bacalhau às natas ~ R$130–170.
🍷 Vinhos: vinho branco português, como Vinho Verde ~ R$120–200, ou Sauvignon Blanc brasileiro (R$100–160).
👉 Combina perfeitamente com receitas clássicas de mar e sabores intensos.

3. Villa do Porto Gastronomia e Bar
Ambiente histórico com frutos do mar e tapas.
🔹 Pratos: peixes grelhados ~ R$110–160.
🍷 Vinhos: Chardonnay ou Sauvignon Blanc nacionais ~ R$100–170.
👉 Boa opção para almoço ou jantar informal à beira-mar.

Sugestões de Vinhos para Harmonizar

Vinho Branco ou Brilhante (R$90–160)
• Sauvignon Blanc brasileiro, como Miolo Reserva, semelhante a R$90–140, fresco e aromático.
• Vinho Verde português (R$120–200), leve, com acidez vibrante, ótimo com ostras e peixe.

Rosé ou Branco mais encorpado (R$110–200)
• Chardonnay leve ou rosé nacional, bom para pratos mais ricos de peixe e mariscos.

Espumante Brut (R$100–220)
• Espumante brasileiro, ótimo para harmonizar desde ostras até peixes grelhados ao pôr do sol.

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