Fórum Econômico Mundial aponta que 57% dos líderes globais preveem cenário de tempestade até 2036

Riscos globais crescem e pressionam empresas a mudar sua forma de decidir.

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Por Redação InfoDot

8/19/20263 min read

A aceleração das transformações geopolíticas e a sobreposição de disputas geoeconômicas exigem que conselhos de administração abandonem playbooks tradicionais em favor de competências adaptativas capazes de lidar com cenários não lineares. O Relatório de Riscos Globais 2026, produzido pelo Fórum Econômico Mundial com base em escuta realizada com mais de 11 mil executivos de 116 países e 1.300 especialistas de governos, organismos internacionais e meio acadêmico, aponta que 50% dos líderes projetam um ambiente turbulento ou tempestuoso no horizonte de dois anos. A cifra representa um salto de 14 pontos percentuais em comparação ao levantamento do ano anterior, expandindo-se para 57% das respostas ao projetar a próxima década, intervalo em que apenas 1% dos consultados projeta um ambiente de estabilidade.

O estudo indica a consolidação de uma era marcada pela competição rigorosa e pela fragmentação geopolítica, em que riscos de curto prazo como confrontos geoeconômicos, desinformação e instabilidade de dívida soberana assumiram posições de destaque. A natureza desses desafios difere de problemas meramente complicados, que demandam especialização técnica e fluxos operacionais previsíveis. Questões complexas envolvem variáveis interdependentes que reagem de forma dinâmica e imprevisível a intervenções, como o impacto de barreiras tarifárias sobre fluxos de suprimentos, desdobramentos cambiais e reações regulatórias.

O esgotamento das respostas tradicionais decorre da insistência em aplicar métodos rígidos a ambientes voláteis. A governança em cenários complexos passa a exigir tolerância à ambiguidade, validação de hipóteses em pequena escala antes do aporte intensivo de capital e sensibilidade para capturar sinais fracos de ruptura. Indicadores tradicionais de desempenho mostram-se insuficientes para antecipar movimentos disruptivos que se formam ao longo de meses antes da consolidação de crises abertas.

A transformação na natureza dos riscos impulsiona a migração do comando centralizado para estruturas de decisão distribuídas em rede. A capacidade de resposta rápida desloca-se para a linha de frente operacional, onde gestores regionais, equipes de produtos e conselheiros especializados identificam variações de contexto antes do centro decisório principal. Iniciativas de qualificação executiva para conselheiros, acionistas e presidentes de empresas, a exemplo do programa SEER desenvolvido pela Saint Paul Escola de Negócios, buscam estruturar a expansão desse repertório corporativo para a tomada de decisões sob incerteza contínua.

A transição rumo a ecossistemas decisórios mais autônomos e integrados reconfigura o conceito de liderança, tornando a velocidade de adaptação e a inteligência de rede determinantes para a sustentabilidade dos negócios em mercados altamente instáveis.

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