

Geração Z demonstra maior apreensão com efeitos da IA no mercado de trabalho
A velocidade da tecnologia no ambiente corporativo cresce mais rápido do que a capacidade de adaptação das pessoas. Entre expectativas, promessas de eficiência e receios silenciosos, a inteligência artificial passou a ocupar um lugar central nas discussões sobre o futuro do trabalho.
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1/23/20262 min read
A percepção de que a IA transformará profundamente as rotinas profissionais já é majoritária. Segundo uma pesquisa divulgada pela Randstad na terça-feira (20), quatro em cada cinco trabalhadores acreditam que a inteligência artificial terá impacto direto sobre suas tarefas diárias, com destaque para a Geração Z, apontada como uma das mais preocupadas diante do avanço de chatbots e sistemas automatizados nas empresas.
O levantamento também revela uma mudança acelerada no perfil das oportunidades de emprego. As vagas que exigem competências ligadas a “agentes de IA” registraram um crescimento de 1.587%, enquanto funções de menor complexidade e caráter transacional vêm sendo gradualmente substituídas por soluções baseadas em automação e inteligência artificial.
Para chegar a esses resultados, a Randstad ouviu 27 mil profissionais e 1.225 empregadores, além de analisar mais de 3 milhões de anúncios de emprego distribuídos em 35 mercados ao redor do mundo, compondo um retrato amplo das transformações em curso no mercado de trabalho global.
Esse cenário se insere em um contexto econômico mais amplo de instabilidade. Os mercados de trabalho enfrentam pressão crescente à medida que empresas intensificam cortes de pessoal, em meio à queda da confiança do consumidor, afetada pela guerra comercial e pelas políticas externas agressivas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que abalaram a ordem global baseada em regras.
Ao mesmo tempo, companhias de tecnologia focadas em inteligência artificial já iniciaram a substituição de postos de trabalho por automação, mesmo enquanto grande parte das organizações ainda aguarda retornos concretos de um ciclo excepcional de investimentos em IA, apontado como um fator que deve moldar o ambiente corporativo por muitos anos.
De acordo com Sander van ’t Noordende, CEO da Randstad, a reação dos trabalhadores mistura entusiasmo e desconfiança. “O que geralmente vemos entre os funcionários é que eles estão entusiasmados com a IA, mas também podem ser céticos, no sentido de que as empresas querem o que sempre quiseram: reduzir custos e aumentar a eficiência”, afirma. Quase metade dos entrevistados acredita que essa tecnologia, ainda em fase inicial, tende a beneficiar mais as empresas do que a própria força de trabalho.
No fim das contas, o debate sobre inteligência artificial vai além da tecnologia e toca diretamente na forma como o trabalho será distribuído, valorizado e percebido nos próximos anos.
A maneira como sociedade, empresas e profissionais responderem a essa transição pode definir não apenas empregos, mas expectativas inteiras sobre o futuro.






