Hospitais do futuro chegam ao SUS com investimento bilionário e IA

O governo federal apresentou uma rede nacional de hospitais e serviços inteligentes do SUS, com uso de inteligência artificial, telemedicina e medicina de precisão para acelerar atendimentos e diagnósticos.

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Por Redação InfoDot

1/8/20263 min read

O tempo, quando se trata de saúde, costuma ser o fator mais decisivo entre o cuidado e o risco. É a partir dessa lógica que o governo federal anunciou, nesta quarta-feira (07), a criação da primeira Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do Sistema Único de Saúde, iniciativa que pretende reorganizar o atendimento hospitalar com apoio intensivo de tecnologia avançada.

A nova rede terá sede em São Paulo (SP) e foi apresentada em evento com a presença do presidente Lula, da ex-presidente Dilma Roussef e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O projeto aposta na integração de inteligência artificial e medicina de alta precisão para dar mais agilidade ao atendimento de pacientes do SUS, especialmente em situações de emergência.

Segundo o governo, a adoção dessas tecnologias deve permitir uma redução expressiva no tempo de triagem, com a expectativa de torná-lo até cinco vezes mais rápido. A proposta envolve desde a análise inicial dos pacientes até o suporte remoto para procedimentos e diagnósticos especializados.

Durante o anúncio, o ministro Alexandre Padilha destacou o papel da tecnologia na nova estrutura hospitalar. “Os hospitais inteligentes usam da mais alta tecnologia e inteligência artificial, usando uma rede que permite fazer procedimentos a distância e acelerar o diagnóstico”, afirmou.

Os chamados hospitais inteligentes do SUS devem operar com um conjunto integrado de recursos digitais. Entre eles estão sistemas de IA voltados à triagem rápida, ambulâncias equipadas com conectividade 5G, cirurgias robóticas, práticas de medicina de precisão, monitoramento contínuo de pacientes, integração de dados entre serviços, tecnologias capazes de antecipar agravamentos clínicos e uma central nacional voltada à pesquisa e à inovação.

Na fase inicial, a rede contará com 14 UTIs inteligentes distribuídas por 13 estados brasileiros. Um dos destaques é o Hospital das Clínicas da USP, que abriga o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente e deve atender mais de 20 mil pacientes por ano, com 800 leitos dedicados à emergência.

Os recursos para viabilizar o projeto somam R$ 2,8 bilhões. Desse total, R$ 1,7 bilhão virão com apoio dos países do Brics, enquanto o Ministério da Saúde anunciou um aporte adicional de R$ 1,1 bilhão destinado à compra de equipamentos e ao custeio de unidades hospitalares do SUS.

As 14 UTIs inteligentes estarão localizadas em Manaus (AM), Dourados (MS), Belém (PA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF), formando uma rede distribuída entre diferentes regiões do país.

Ao apostar em tecnologia de ponta para fortalecer o SUS, o governo sinaliza uma tentativa de aproximar inovação e acesso universal, lembrando que a eficiência no cuidado também pode ser uma forma de salvar vidas.

O desafio, no fim das contas, será transformar promessas tecnológicas em benefícios reais e sustentáveis para quem depende do sistema público de saúde.

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