IA já está presente em 70% dos recrutamentos no Brasil, aponta pesquisa

Tecnologia se consolida nos processos seletivos, acelera contratações e aproxima o RH das decisões estratégicas e financeiras das empresas.

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Por Redação InfoDot

2/19/20263 min read

Mudanças profundas raramente acontecem de forma repentina, elas se acumulam até que um novo padrão se torne inevitável. No ambiente corporativo, essa virada parece ter alcançado o setor de Recursos Humanos, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial.

Levantamento realizado pelo Pandapé em parceria com a Adecco indica que sete em cada dez empresas brasileiras já aplicam IA em alguma etapa do recrutamento. O estudo ouviu 460 profissionais de RH e mostra que 70% das organizações incorporaram a tecnologia aos processos seletivos, enquanto 77% dos participantes afirmam utilizá-la diariamente.

Os números apontam para uma transformação estrutural na gestão corporativa. A inteligência artificial deixa de ser vista como tendência distante e passa a atuar como ferramenta concreta para elevar eficiência operacional, reduzir custos e aumentar a precisão nas contratações.

Durante 2025, a digitalização dos fluxos de RH avançou acompanhando a pressão por produtividade e decisões baseadas em dados. Esse movimento reforça a integração entre tecnologia e estratégia empresarial.

Entre as aplicações mais recorrentes, Recrutamento e Seleção lideram com 72,2%, seguidos por Análise de Dados, com 52,2%, Treinamento e Desenvolvimento, com 35,1%, e Atendimento ao Cliente, com 32%. Mais da metade dos entrevistados, 54,8%, relatou melhorias significativas nos processos internos após a adoção das soluções.

Na prática, a automação de tarefas repetitivas encurta o tempo necessário para preencher vagas, reduz retrabalho e organiza informações relevantes para a tomada de decisão. A consequência direta aparece nos custos e na previsibilidade financeira das companhias.

Processos seletivos mais ágeis diminuem o período de posições em aberto, evitam perdas de produtividade e favorecem decisões alinhadas ao planejamento estratégico. Dessa forma, a modernização do RH passa a influenciar diretamente a agenda financeira das organizações.

O estudo também acompanha inovações lançadas pelo Pandapé ao longo de 2025, voltadas à eficiência e à experiência dos candidatos. Entre os recursos destacados estão o Fast Apply, que permite candidaturas via WhatsApp e busca reduzir desistências em vagas de grande volume, e o Genoma, solução baseada em testes gamificados e princípios de neurociência para tornar as seleções mais preditivas.

Atualizações como a Vídeo Oferta e melhorias nos fluxos de admissão digital reforçam a automatização das etapas. Setores como varejo, logística, saúde e tecnologia aparecem na dianteira na adoção dessas ferramentas. A expectativa é que o movimento se intensifique em 2026, impulsionado pela busca por rapidez, integração e segurança de dados.

Apesar dos avanços, persistem preocupações. Aproximadamente um terço dos profissionais teme vieses e perda de humanização nos processos automatizados, e 30% das empresas nunca ofereceram treinamento específico sobre o uso de IA.

Para Patricia Suzuki, CHRO da Redarbor Brasil, grupo responsável pelo Pandapé, a tecnologia não diminui a importância do RH, mas redefine suas funções. Segundo ela, ao automatizar tarefas repetitivas, os recrutadores ganham tempo para atividades que exigem análise, senso crítico e empatia, como entrevistas e compreensão do contexto das equipes.

A incorporação da inteligência artificial ao recrutamento mostra que eficiência e sensibilidade humana precisarão caminhar juntas no futuro do trabalho.

Fonte: Exame

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