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IBGE registra recuo da extrema pobreza, mas alerta para peso dos benefícios
O levantamento indica avanço social, ao mesmo tempo em que reforça a centralidade dos programas de transferência de renda.
ECONOMIA
Por Redação InfoDot
12/10/20252 min read
Dados recentes divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a parcela da população brasileira em extrema pobreza caiu de 4,4% para 3,5% entre 2023 e 2024, uma redução de 0,9 ponto percentual que corresponde a cerca de 1,9 milhão de pessoas saindo dessa condição.
De acordo com a leitura do instituto, esse avanço resulta da combinação entre a expansão dos programas de transferência de renda e o fortalecimento do mercado de trabalho no período analisado.
Entretanto, ao avaliar o cenário sem a inclusão dos benefícios sociais, o diagnóstico se altera de forma significativa. O analista socioeconômico do IBGE, Jefferson Mariano, aponta que, ao retirar esses programas da conta, o índice de pobreza alcançaria até 40% da população brasileira.
Os dados também evidenciam a persistência das desigualdades raciais e de gênero. O levantamento revela que pessoas pretas e pardas concentram a maior parte daqueles que vivem em situação de pobreza e extrema pobreza, enquanto a presença de pessoas brancas aparece em proporção bem menor.
Entre os grupos mais vulneráveis, as mulheres pretas ocupam a base da pirâmide socioeconômica. Como observa Mariano, “Mesmo entre as pessoas mais pobres, a gente ainda observa uma desigualdade muito atrelada a questão racial”.
O estudo reforça ainda que o Brasil figura entre os países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) com maior concentração de renda, especialmente quando são desconsiderados os programas de transferência de renda como fator de compensação social.
Para o analista, esse cenário reforça a dependência estrutural dessas políticas. “Isso mostra, mais uma vez, a importância que a gente ainda tem, a dependência que a sociedade brasileira ainda tem dos programas de transferência de renda”, afirma.
Apesar dos desafios destacados, Jefferson Mariano avalia que o período atual representa o melhor desempenho da série histórica iniciada em 2012, com uma recuperação expressiva após o período mais crítico vivido durante a pandemia de 2020.
A perspectiva apontada pelo especialista é de que a manutenção de um mercado de trabalho aquecido, em conjunto com os programas de transferência de renda, poderá seguir impulsionando novas quedas nos índices. “É possível que no futuro a gente tenha números cada vez menores nessa situação.”
No balanço final, os avanços convivem com desigualdades estruturais que revelam como o enfrentamento da pobreza ainda depende de políticas contínuas.






