Inadimplência atinge topo histórico no Brasil e afeta quase metade da população adulta

Levantamento da CNDL e SPC Brasil aponta que 75,08 milhões de cidadãos possuem pendências financeiras, com forte concentração em instituições bancárias e crescimento expressivo de débitos de longo prazo.

ECONOMIAMERCADO

Por Redação InfoDot

8/17/20262 min read

A persistência do endividamento das famílias brasileiras restringe a circulação de crédito, corrói a renda disponível e impõe limitações diretas ao ritmo de retomada da atividade econômica. Levantamento conduzido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas em parceria com o SPC Brasil indica que o contingente de devedores alcançou o marco de 75,08 milhões de pessoas. O volume total de negativados equivale a 44,75% dos adultos no território nacional, patamar atingido após expansão de 0,47% na variação mensal entre junho e julho.

A análise do perfil temporal dos débitos revela forte avanço das pendências mais antigas. As dívidas acumuladas em atraso no intervalo entre quatro e cinco anos registraram alta de 38,97% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O valor médio devido por pessoa situou-se em R$ 5.205,30, distribuído em uma média de 2,34 credores por inadimplente. Em termos de volume financeiro, as pendências de menor porte predominam no indicador, com 28,94% dos devedores acumulando débitos de até R$ 500 e 41,16% devendo quantias de até R$ 1.000.

O estrato demográfico mais afetado concentra-se entre 30 e 39 anos de idade, grupo que abrange 18,2 milhões de indivíduos e no qual 53,68% da população correspondente encontra-se negativada. No recorte por gênero, as mulheres compõem 51,39% da parcela de devedores, ao passo que os homens representam 48,61%.

No âmbito setorial, as instituições bancárias concentram a maior fatia das pendências no país, respondendo por 65,91% do montante global. Os serviços essenciais de água e luz figuram na sequência, com 10,63%, seguidos por outros segmentos, com 9,58%, e pelo comércio, com 8,21%. O segmento de contas básicas apresentou a maior aceleração setorial da inadimplência, anotando elevação de 22%.

A rigidez das métricas de inadimplência sugere que ações conjunturais de renegociação de passivos, sem reformas estruturais paralelas na renda e na educação financeira, falham em estancar o ciclo contínuo de endividamento da população.

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