

Inadimplência empresarial alcança recorde e já afeta 9 milhões de CNPJs no Brasil
Empresas dependem de fluxo de caixa para manter operações, investir e crescer. Quando o crédito fica mais caro e o acesso a recursos se torna limitado, o impacto financeiro tende a se espalhar rapidamente pelo ambiente corporativo.
MERCADOECONOMIA
Por Redação InfoDot
6/10/20263 min read
A capacidade de honrar compromissos financeiros é um dos pilares da atividade empresarial. No entanto, a combinação de crédito restrito e juros elevados tem ampliado os desafios enfrentados por companhias de diferentes portes. Como resultado, o Brasil registrou um recorde de inadimplência entre pessoas jurídicas.
Dados do mais recente Indicador de Inadimplência das Empresas, elaborado pela Serasa Experian, apontam que aproximadamente 9 milhões de CNPJs estavam com contas em atraso. O número representa um avanço expressivo após a entrada de 1,5 milhão de novas empresas na lista de negativadas ao longo dos últimos 12 meses.
Segundo a análise, a pressão financeira está diretamente ligada ao ambiente de juros altos e às dificuldades de obtenção de crédito. Esse cenário compromete o caixa operacional das empresas, sobretudo das micro e pequenas empresas (MPEs), que aparecem como as mais afetadas pelas restrições financeiras.
Além do aumento na quantidade de companhias inadimplentes, também houve crescimento no volume financeiro das pendências. Em abril deste ano, o total de débitos vencidos chegou a 63,7 milhões de registros, somando R$ 220,9 bilhões em contas não quitadas, o maior valor já observado pela série.
O relatório mostra ainda que cada empresa negativada possui, em média, cerca de 7,1 contas em atraso. Já o passivo médio por CNPJ foi calculado em R$ 24.665,91, indicando o aprofundamento do endividamento enfrentado por parte do setor produtivo.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, destacou que muitas empresas têm recorrido com maior frequência a alternativas de financiamento. Ainda assim, elas encontram dificuldades para administrar essas obrigações diante do acúmulo de compromissos financeiros anteriores.
Os números revelam que os pequenos negócios concentram a maior parcela da inadimplência empresarial. Dos cerca de 9 milhões de CNPJs negativados, aproximadamente 8,5 milhões pertencem às micro e pequenas empresas.
Juntas, essas organizações acumulam 57,6 milhões de dívidas em aberto. O valor total dessas obrigações alcança R$ 191,8 bilhões, montante considerado significativo para o segmento.
Especialistas apontam que micro e pequenas empresas costumam operar com menor capacidade de caixa e reservas financeiras mais limitadas. Por isso, sentem de forma mais imediata os efeitos do aumento do custo do crédito e do encarecimento das linhas tradicionais de financiamento.
Na divisão por atividade econômica, o setor de serviços aparece na liderança entre as empresas inadimplentes, concentrando 55,6% dos registros. O comércio surge em seguida, com participação de 32,4%, enquanto a indústria responde por 8,1%.
Sob a ótica regional, o Sudeste reúne o maior contingente de empresas negativadas, reflexo de sua elevada concentração empresarial. São Paulo lidera o ranking nacional, com mais de 3 milhões de CNPJs em situação de inadimplência.
Ainda na região, Minas Gerais contabiliza 881 mil empresas afetadas, enquanto o Rio de Janeiro registra 864 mil. No Sul do país, o Paraná soma 588 mil negócios negativados e o Rio Grande do Sul alcança a marca de 518 mil empresas nessa condição.
A saúde financeira das empresas é um termômetro importante da economia, e seus desafios costumam refletir impactos que vão além dos balanços corporativos.






