

Foto: André Dusek/Estadão
Inflação não dá trégua e mercado ajusta previsão pela 8ª vez seguida
Expectativas para os preços seguem em alta enquanto o Banco Central mantém postura cautelosa diante de um cenário global incerto.
GOVERNOECONOMIA
Por Redação InfoDot
5/5/20262 min read
Nem sempre os números mudam de forma brusca, mas pequenos ajustes repetidos podem revelar tendências importantes. Quando revisões se tornam frequentes, o sinal de atenção passa a ser inevitável, especialmente em um cenário econômico ainda sensível.
O relatório Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (4) indicou nova elevação na estimativa de inflação para 2026, marcando a oitava revisão consecutiva. A projeção do IPCA passou a 4,89%, avanço de 0,03 ponto percentual em relação à semana anterior.
Para os anos seguintes, o comportamento esperado segue relativamente estável. A estimativa para 2027 permaneceu em 4%, enquanto para 2028 houve leve ajuste, chegando a 3,64%.
Após a decisão recente envolvendo a taxa de juros, o Banco Central também revisou sua expectativa para a inflação deste ano, apontando um aumento de 4,6% nos preços. Na ocasião, o Comitê de Política Monetária destacou em comunicado a necessidade de agir com "serenidade e cautela" na condução da política monetária.
O ambiente externo segue como fator relevante para essa postura. Segundo o próprio comitê, os desdobramentos da guerra no Oriente Médio continuam influenciando o nível de incerteza global, o que exige acompanhamento constante.
Mesmo com a pressão inflacionária, outras variáveis econômicas apresentaram estabilidade nas projeções. O crescimento do PIB, o câmbio e a taxa básica de juros não sofreram alterações em relação à semana anterior.
No caso da Selic, analistas mantiveram a expectativa de que a taxa encerre o ano em 13%. Para 2027 e 2028, as previsões seguem em 11% e 10%, respectivamente.
A decisão mais recente do Copom, tomada na última quarta-feira (29), reduziu a taxa básica em 0,25 ponto percentual, fixando-a em 14,5% ao ano. Embora o movimento já fosse esperado pelo mercado, o comunicado reforçou o cenário de incerteza internacional.
Em relação à atividade econômica, a projeção de crescimento para 2026 foi mantida em 1,85%. Para os dois anos seguintes, as estimativas indicam expansão de 1,75% e 2%, respectivamente.
No câmbio, não houve mudanças: a expectativa continua sendo de que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,25, repetindo o patamar previsto anteriormente.
A repetição de ajustes discretos pode dizer mais sobre o futuro do que mudanças abruptas, especialmente quando o cenário exige cautela contínua.
Pequenas variações, quando persistentes, costumam revelar movimentos maiores em construção.






