

IPO do PicPay nos EUA: data marcada, preço definido e aposta bilionária
O banco digital PicPay formalizou sua oferta pública inicial nos Estados Unidos, com listagem prevista para o dia 29 e potencial de movimentar até US$ 2,6 bilhões.
MERCADOECONOMIA
Por Redação InfoDot
1/21/20263 min read
Toda expansão carrega riscos, expectativas e apostas calculadas. No mercado financeiro, essas decisões ganham dimensão global quando atravessam fronteiras. É nesse contexto que o PicPay se prepara para dar um passo decisivo ao estrear na bolsa norte-americana.
Os detalhes do aguardado IPO do PicPay na Nasdaq foram apresentados oficialmente nesta terça-feira, 20, em documento enviado aos reguladores dos Estados Unidos. A fintech brasileira planeja iniciar a negociação de suas ações no próximo dia 29, em uma operação que pode movimentar entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões, conforme o preço final definido dentro da faixa indicativa.
Segundo o prospecto, o intervalo sugerido aos investidores varia de US$ 16 a US$ 19 por ação. A definição do valor ocorrerá no dia 28, enquanto as apresentações para potenciais investidores, conhecidas como roadshows, começam nesta terça-feira em Nova York.
Caso o preço seja fixado no ponto médio da faixa, a captação pode alcançar US$ 400 milhões. Se a precificação ocorrer no topo do intervalo proposto, o volume levantado pode chegar a US$ 500 milhões.
A oferta prevê a emissão de 26,3 milhões de ações, o equivalente a aproximadamente 21% do capital da companhia. Mesmo após a operação, a J&F Participações, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, permanecerá no controle do PicPay.
Conforme já indicado no prospecto preliminar divulgado no último dia 5, que ainda não trazia números nem valores, a operação nasce ancorada, com um pedido firme de compra de US$ 75 milhões. O investimento parte do fundo Bycicle, liderado por Marcelo Claure, ex-gestor do Softbank e investidor de empresas como Nubank e Inter. Claure participa, nesta semana, do Fórum Econômico Mundial.
A coordenação da oferta está a cargo de Citi e Bank of America. Trata-se do primeiro IPO brasileiro em Nova York desde a abertura de capital do Nubank, realizada em dezembro de 2021.
Além do PicPay, o Agibank também protocolou, na semana passada, pedido de abertura de capital nos Estados Unidos. O banco digital pretende negociar ações na Bolsa de Nova York, Nyse, após firmar acordo com o INSS que permitiu a retomada da concessão de crédito consignado a beneficiários da Previdência.
O PicPay já havia submetido um pedido de IPO à SEC em 2021, mas o processo foi adiado repetidas vezes em meio a incertezas relacionadas à governança. No prospecto mais recente, a fintech reconhece riscos reputacionais ligados às investigações criminais e civis envolvendo os irmãos Batista. A empresa afirma cumprir todas as obrigações judiciais, mas admite que novas acusações ou processos podem prejudicar materialmente a estratégia de negócios, a capacidade de realizar novas transações e o valor de suas ações.
O documento também revela planos de diversificação. A subsidiária Nosso Time iGaming Ltda protocolou pedido para operar no mercado de apostas esportivas, que está em análise pela Secretaria de Prêmios e Apostas, SPA, vinculada ao Ministério da Fazenda.
“Acreditamos que este mercado nos oferece uma oportunidade de gerar retornos financeiros significativos, impulsionados principalmente por plataformas digitais focadas em eventos esportivos, sendo também uma importante fonte de receita tributária e desenvolvimento econômico”, diz o prospecto.
Em um ambiente de mercados voláteis e decisões estratégicas complexas, cada abertura de capital reflete não apenas números, mas a visão de futuro de quem escolhe se expor ao escrutínio global.






