Meta anuncia ações judiciais no Brasil para combater golpes com IA e deepfakes

Fraudes digitais ganharam escala inédita com o avanço da inteligência artificial. Em resposta ao crescimento desse tipo de crime, a Meta anunciou que pretende ampliar sua atuação contra anúncios fraudulentos, incluindo medidas judiciais contra responsáveis por esquemas que circulam em suas plataformas.

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Por Redação InfoDot

3/3/20264 min read

A evolução das ferramentas digitais ampliou oportunidades, mas também abriu espaço para crimes cada vez mais sofisticados. Com o uso de inteligência artificial, fraudes online passaram a ganhar escala global, pressionando empresas de tecnologia a reagirem com mais rigor.

Nesse cenário, a Meta informou no último dia 26, que iniciará ações legais para enfrentar golpes divulgados por meio de anúncios em suas plataformas no Brasil, China e Vietnã. De acordo com a companhia, a estratégia vai além da remoção de conteúdos fraudulentos e busca responsabilizar judicialmente operadores desses esquemas.

No território brasileiro, as investigações concentram-se principalmente em práticas que utilizam deepfakes e técnicas de cloaking, método que apresenta uma versão do conteúdo para sistemas de verificação e outra diferente para o usuário final. A apuração envolve dois tipos principais de operação criminosa.

Um dos focos está em grupos que manipulam imagens e vídeos de personalidades conhecidas para promover fraudes. A reportagem identificou o uso de conteúdos falsificados envolvendo Maira Cardi, Lair Ribeiro, Maiara, Luiz Bacci e Drauzio Varella. Outra frente investigada envolve estruturas que comercializam supostos cursos destinados à criação de vendedores virtuais automatizados.

Paralelamente às iniciativas judiciais, a empresa afirma que vem ampliando o uso de sistemas de inteligência artificial voltados à identificação de anúncios suspeitos e à remoção acelerada desses conteúdos. Entre as medidas técnicas previstas estão a suspensão de meios de pagamento utilizados nos esquemas, o bloqueio de domínios associados aos golpes e a desativação de contas envolvidas.

A companhia já realizou iniciativas semelhantes em outros países. Em operações anteriores, a Meta acionou a Justiça no Reino Unido e colaborou com autoridades na Nigéria, ação que resultou na prisão de sete pessoas ligadas a redes especializadas em fraudes digitais.

O tema também ganhou repercussão após reportagem da Reuters publicada em novembro do ano passado. Segundo a agência, cerca de 10% da receita projetada da empresa em 2024 poderia estar associada a anúncios de golpes ou produtos proibidos. O levantamento apontou ainda que aproximadamente 15 bilhões de anúncios considerados de alto risco eram exibidos diariamente nas plataformas da companhia.

A pressão sobre as grandes plataformas digitais vem crescendo em várias partes do mundo. Nos Estados Unidos, a Meta enfrenta um processo judicial que a acusa de facilitar a exploração sexual de crianças e adolescentes e de lucrar com a circulação de conteúdos ilegais, alegações que a empresa contesta.

No Brasil, questionamentos semelhantes surgiram durante a CPI do Crime Organizado no Senado. Parlamentares cobraram explicações sobre possíveis ganhos econômicos relacionados a atividades ilícitas nas plataformas e também discutiram os impactos da criptografia de ponta a ponta, apontada como um obstáculo para investigações de fraudes.

Durante audiência na comissão, a diretora da Meta, Yana Alves, afirmou que a companhia removeu 134 milhões de anúncios fraudulentos e desativou quase 12 milhões de contas associadas a golpes no Facebook, Instagram e WhatsApp ao longo do último ano. “Quando nós dizemos que temos essa prioridade de combater golpes e crimes online, esse esforço tem que ser transnacional. Nós estamos lidando com organizações criminosas extremamente sofisticadas, extremamente capitalizadas, muitas vezes localizadas em outros territórios”, afirmou a executiva.

O crescimento dessas fraudes não se limita às redes sociais. Também na quinta-feira, 26, o Google anunciou a remoção de 115 aplicativos Android associados a esquemas de fraude publicitária.

A investigação foi conduzida pela Integral ad Science, IAS, e identificou uma operação chamada Genisys, criada para gerar receitas publicitárias por meio de sites falsos produzidos com inteligência artificial. Os aplicativos envolvidos aparentavam funções comuns, como leitores de QR Code, visualizadores de PDF e detectores de wi-fi.

Na prática, esses softwares redirecionavam usuários para quase 500 domínios gerados por IA, que simulavam interações humanas para inflar métricas de publicidade. A análise identificou milhões de solicitações de compra de mídia vinculadas a esses sites.

Diante do crescimento das fraudes digitais, especialistas e autoridades vêm pressionando por maior responsabilização das plataformas. O cenário indica a possibilidade de aumento de ações civis e criminais contra redes criminosas, além de maior cooperação internacional entre países afetados.

Paralelamente, propostas de regulamentação das redes sociais e exigências de verificação prévia de anunciantes devem ganhar força, especialmente na Europa e no Brasil, onde o debate sobre o tema já ocorre há alguns anos.

Quanto mais avançam as tecnologias digitais, maior se torna o desafio de garantir que inovação e segurança caminhem na mesma direção.

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