

Novo pico de endividamento expõe impacto histórico nas famílias em 2025
O endividamento das famílias brasileiras atinge novo recorde e preocupa economistas às vésperas do fim de ano.
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Por Redação InfoDot
11/27/20253 min read
Em um momento em que muitas famílias tentam reorganizar o orçamento, a mais recente Peic, Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, mostra que o país entrou em outubro com o maior índice de dívidas desde o início da série em 2010. A CNC, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, registrou que 79,5 por cento dos lares possuíam algum tipo de débito, marcando o terceiro mês seguido de alta.
Além da expansão do endividamento, o levantamento indica que a inadimplência permanece no pior patamar já observado. Em outubro, 30,5 por cento das famílias continuavam com contas atrasadas, repetindo o ápice atingido em setembro. Outro dado preocupante é que 13,2 por cento afirmaram não ter condições de quitar o que já está vencido, admitindo que devem permanecer inadimplentes.
A CNC alerta que essas condições financeiras podem esfriar as vendas da Black Friday e comprometer o desempenho do comércio no Natal. José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC Sesc Senac, afirmou em nota que “o avanço no endividamento, na inadimplência e na percepção de insuficiência financeira simultaneamente e pelo terceiro mês seguido é um alerta para a necessidade de ajustes, principalmente na área fiscal, para que os resultados de 2025 não se repitam ou se agravem ainda mais em 2026”.
O estudo considera como dívidas modalidades comuns do consumo brasileiro, como cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré datado e prestações de veículos e imóveis.
Outro indicador em deterioração é o das contas em atraso por mais de 90 dias, que subiu para 49,0 por cento em outubro, o maior nível desde dezembro de 2024. Também aumentou, pelo segundo mês consecutivo, o grupo de famílias que carregam compromissos financeiros há mais de um ano, totalizando 32,0 por cento. Já a parcela dos consumidores com mais de metade da renda comprometida avançou para 19,1 por cento.
Para o economista chefe da CNC, Fabio Bentes, a pressão dos juros reduz o efeito positivo do emprego: “Nem mesmo o bom momento do mercado de trabalho tem sido suficiente para conter o avanço na inadimplência, tamanho o patamar atual dos juros. Nesse cenário, o comércio já sente desaceleração das vendas, uma vez que as famílias se veem obrigadas a promover ajustes no orçamento para se adaptar a essa realidade”.
Projeções da CNC indicam que o endividamento deve fechar 2025 com aumento de 3,3 pontos porcentuais em relação a 2024, enquanto a inadimplência pode subir 1,5 ponto porcentual no mesmo período.
Mesmo em ciclos econômicos desafiadores, sempre há espaço para reorganizar escolhas financeiras e reconstruir estabilidade.






