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Nunca foi tão alto: arrecadação federal atinge marca inédita em 2025 após alta de impostos
A relação entre crescimento econômico e aumento de impostos costuma revelar muito sobre as prioridades de um país. Em 2025, esse encontro se traduziu em números inéditos, que recolocaram a arrecadação federal no maior patamar já observado em mais de três décadas.
ECONOMIAMERCADO
Por Redação InfoDot
1/23/20265 min read
Os cofres da União receberam R$ 2,88 trilhões ao longo de todo o ano de 2025, somando impostos, contribuições e outras receitas, conforme informou a Secretaria da Receita Federal nesta quinta-feira (22). O resultado representa o maior volume arrecadado em um ano fechado desde o início da série histórica, iniciada em 1995, o que equivale a um recorde em 31 anos.
Ao considerar os valores corrigidos pela inflação, a arrecadação alcançou R$ 2,93 trilhões em 2025, frente aos R$ 2,82 trilhões registrados em 2024. Essa comparação indica um crescimento real de 3,65% no período, mesmo após um desempenho elevado no ano anterior.
Segundo a Receita Federal, o avanço está diretamente ligado a um conjunto de medidas adotadas pelo governo federal em parceria com o Congresso Nacional para ampliar a base de arrecadação. Entre elas estão a tributação de fundos exclusivos voltados à alta renda e de empresas offshore no exterior, mudanças nas regras de incentivos fiscais concedidos por estados, além do aumento de impostos sobre combustíveis realizado em 2023 e mantido desde então.
Também contribuíram para o resultado a retomada do voto de qualidade no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), a limitação no pagamento de precatórios, a criação do imposto sobre encomendas internacionais, conhecida como taxa das blusinhas, a reoneração gradual da folha de pagamentos, o encerramento de benefícios fiscais ao setor de eventos por meio do Perse e o aumento do IOF incidente sobre operações de crédito e câmbio.
Ao comentar os dados, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, destacou o desempenho expressivo mesmo diante de uma base elevada de comparação. “São números bonitos que vamos apresentar, um crescimento importante, considerando inclusive o patamar alto do ano anterior. Considerando receitas não recorrentes do ano anterior”, afirmou.
No fim de 2024, o governo e o Congresso Nacional também aprovaram o aumento da tributação sobre juros sobre capital próprio das empresas, fintechs e apostas esportivas, mas, segundo a Receita, essas mudanças não tiveram impacto sobre a arrecadação de 2025.
Além do efeito direto das alterações tributárias, o Fisco aponta que a expansão da atividade econômica teve papel relevante no resultado recorde. Indicadores de produção industrial, vendas de bens e serviços, crescimento da massa salarial e aumento das importações ajudaram a sustentar a elevação da arrecadação ao longo do ano.
Um dos destaques foi o desempenho do Imposto Sobre Operações Financeiras. Em 2025, o IOF atingiu o maior valor da história, também considerado o mais elevado em 31 anos. De acordo com o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, a arrecadação do tributo cresceu R$ 12 bilhões no ano, superando a estimativa inicial de R$ 10 bilhões.
No total, o IOF rendeu R$ 86,5 bilhões em 2025, em valores corrigidos pela inflação, o que representa um avanço real de 20,5% em relação a 2024, quando a arrecadação havia sido de R$ 71,7 bilhões. O aumento ocorreu após disputa judicial encerrada com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na elevação do imposto em diversas operações.
“Esse desempenho pode ser pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira, a crédito destinado a pessoas jurídicas e referentes a títulos ou valores mobiliários, sobretudo em decorrência de alterações legislativas”, informou a Receita Federal.
Outro fator relevante para o resultado de 2025 foi a taxação das apostas esportivas. Segundo o Fisco, a cobrança sobre bets e loterias gerou R$ 9,95 bilhões ao longo do ano, um salto expressivo em comparação aos R$ 91 milhões arrecadados no período anterior. A medida havia sido aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de 2023 e defendida pela equipe econômica como instrumento para reforçar as receitas federais.
O aumento da arrecadação foi peça central da estratégia do governo para tentar zerar o déficit das contas públicas em 2025. O resultado fiscal do ano passado ainda não foi divulgado, mas o arcabouço fiscal prevê uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual, o equivalente a cerca de R$ 31 bilhões.
Além disso, o Legislativo autorizou abatimentos adicionais da meta fiscal, incluindo uma estimativa de R$ 500 milhões para projetos estratégicos, R$ 40,64 bilhões em precatórios e R$ 3,31 bilhões destinados ao ressarcimento de aposentados e pensionistas que sofreram descontos indevidos.
Com essas exceções, o rombo nas contas públicas pode chegar a até R$ 75,4 bilhões sem que a meta seja formalmente descumprida. Esse montante ainda pode variar conforme o valor efetivamente pago em precatórios fora da meta e outras exceções, como recursos do fundo social e projetos estratégicos em defesa, que, embora previstos em R$ 500 milhões no relatório orçamentário, podem alcançar até R$ 3 bilhões.
O elevado volume de despesas fora da meta fiscal tem sido alvo de críticas de analistas, que apontam dificuldades adicionais para o equilíbrio das contas públicas. O Tesouro Nacional, por sua vez, projeta manutenção do déficit até 2027, mesmo diante de novos aumentos de impostos e do crescimento da dívida pública, indicador acompanhado de perto pelo mercado financeiro.
Em meio a recordes de arrecadação e desafios fiscais persistentes, o debate sobre o equilíbrio entre receitas, gastos e crescimento econômico segue no centro das decisões que moldam o futuro das contas públicas.








