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O círculo vicioso da rolar dívidas no Brasil que troca tempo por juros mais altos no orçamento das famílias

A substituição recorrente de compromissos financeiros por novas linhas de crédito prolonga o endividamento e compromete a recuperação orçamentária dos consumidores nas capitais brasileiras.

ECONOMIACRÉDITO

Por Redação InfoDot

10/21/20262 min read

A estratégia de contratar novas modalidades de crédito para quitar débitos acumulados foi adotada por 81% dos consumidores inadimplentes entrevistados em um levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas. A apuração consultou 609 pessoas com contas em atraso há mais de três meses em todas as capitais do país entre 6 e 17 de março de 2026. O estudo demonstra que 25% dos entrevistados recorrem mensalmente ao limite do cartão de crédito, ao cheque especial ou a novos empréstimos para cobrir compromissos anteriores, enquanto 37% utilizam o mecanismo ocasionalmente em momentos de aperto e 19% restringem a prática a situações de emergência. A troca de passivos, ao ocorrer sob taxas de juros elevadas, amplia o custo total da dívida em vez de reduzi-lo.

A pesquisa mapeia um descompasso entre a percepção teórica sobre finanças e a disciplina no acompanhamento do orçamento doméstico. Embora 78% dos participantes avaliem seu conhecimento financeiro como regular, bom ou ótimo, 48% não realizam um acompanhamento efetivo das receitas e despesas, limitando-se a checar o extrato bancário ou a estimar os gastos de memória. Entre os principais entraves citados para a organização das contas estão a falta de disciplina para registrar saídas (20%) e a perda de motivação diante da ausência de resultados imediatos (15%). A pressão por liquidez pontual atua na conversão de sobressaltos temporários de caixa em endividamento estrutural de longo prazo.

Os aspectos emocionais e sociais também exercem influência direta na manutenção do ciclo de inadimplência. Cerca de 50% dos entrevistados relataram comportamentos que dificultam a reorganização das finanças, dos quais 18% abandonam tentativas de economia por considerarem os cortes irrelevantes frente ao saldo devedor e 17% admitem compras por impulso após períodos de privação. Na esfera interpessoal, 54% dos inadimplentes declararam já ter ocultado compras ou valores devidos de familiares e pessoas próximas por constrangimento. Embora 92% afirmem ter alterado a gestão do dinheiro após a negativação, priorizando o controle de gastos domésticos (32%), o consumo refletido (30%), a pesquisa de preços (29%) e a restrição ao uso do cartão de crédito (25%), a simples reorganização das despesas correntes mostra-se insuficiente para zerar os compromissos contratuais já acumulados.

A interrupção do ciclo de rolagem de dívidas exige renegociação direta de prazos e taxas aliada ao acompanhamento rigoroso do fluxo de caixa familiar.

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