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O que a filosofia tem a ver com o seu negócio?
Lições de grandes pensadores que ajudam a explicar o sucesso ou o fracasso de um planejamento estratégico
CULTURA E DECISÕESMERCADOLIDERANÇA
Por Mariana Nalin, A Credit
10/5/20263 min read
Começou a temporada de planejamento estratégico e, com ela, o desafio de pensar o futuro das nossas empresas. Pensar, afinal, é um exercício filosófico por natureza: questionar por que queremos chegar a um determinado destino e como pretendemos chegar lá. Foi com essa inquietação que recorri a alguns pensadores cujas ideias, trazidas para a gestão, ajudam a iluminar esse processo. Não como uma receita pronta, mas como pilares para construir e, principalmente, executar um bom planejamento.
O primeiro deles é Sêneca, que alertava que “sofremos mais na imaginação do que na realidade”. Basta olhar para dentro das nossas empresas para reconhecer a atualidade dessa ideia. Quantos projetos foram para a gaveta não por falta de dados, mas por falta de coragem de lidar com o novo? Diante de cenários incertos, a tentação é projetar todos os riscos possíveis e, no fim, não decidir nada.
Se Sêneca nos ajuda a entender o que paralisa, Paulo Freire aponta o caminho para agir. Ele chamava de “inédito viável” aquilo que ainda não existe, mas pode ser construído a partir das condições reais. A inteligência artificial é um bom exemplo. Em vez de querer, de imediato, que a IA substitua lideranças, que tal começar com um hub de inovação, testando aplicações que façam sentido para a sua cultura, o seu conhecimento e as suas necessidades? Ninguém precisa saber tudo para dar o primeiro passo. Basta começar pelo que é possível hoje.
Esse caminho, porém, raramente é confortável, e talvez nem devesse ser. Afinal, como dizia Rubem Alves, “ostra feliz não faz pérola”. A pérola nasce justamente da reação da ostra a um incômodo. Com as empresas acontece algo parecido: estruturas superprotegidas se fragilizam, enquanto as que encaram crises como fonte de aprendizado costumam sair delas mais fortes.
Atravessar esse atrito exige lideranças à altura, e aqui Aristóteles tem muito a dizer. Para ele, a magnanimidade, a “alma grande”, é a capacidade de avaliar as próprias forças e fraquezas com justiça, sem vaidade. É essa lucidez que diferencia a liderança madura, que sustenta conversas difíceis e forma equipes capazes de decidir bem, daquela que apenas manda ou apenas agrada.
Por fim, há um risco que costuma aparecer justamente quando os resultados chegam. Schopenhauer via a vida humana oscilando entre a ânsia de possuir e o tédio de ter conquistado. Nas empresas, esse tédio tem nome: acomodação. Por isso, todo planejamento precisa ser revisitado, mesmo ou sobretudo, depois das metas batidas.
Nada disso é erudição, e sim critério de governança. A filosofia não substitui o planejamento estratégico, mas questiona aquilo que nenhuma planilha mede: o discernimento de quem o conduz.
Talvez, então, a pergunta mais útil desta temporada não seja se a estratégia está bem desenhada, mas o quanto dela ainda vive só na nossa imaginação, e o que falta para virar realidade.








