

Foto: Granja Faria, Divulgação
O que está por trás da corrida de empresas brasileiras para investir em solo americano
Empresas do Brasil ampliam operações nos Estados Unidos diante da combinação de barreiras comerciais e vantagens tributárias promovidas pelo governo Trump.
MERCADOBUSINESS
Por Redação InfoDot
6/25/20263 min read
Em economia, decisões de investimento costumam seguir os caminhos onde oportunidades e custos se equilibram. Quando incentivos se somam a mudanças nas regras do comércio internacional, empresas tendem a reorganizar suas estratégias para buscar maior competitividade.
A administração de Donald Trump tem adotado uma política que combina estímulos e restrições para fortalecer a atividade industrial nos Estados Unidos. Enquanto as tarifas de importação funcionam como mecanismo de pressão sobre produtos estrangeiros, medidas de incentivo ajudam a tornar o país mais atrativo para novos empreendimentos.
Entre os instrumentos utilizados está a Big Beautiful Bill (BBB), legislação aprovada no ano passado que reduziu burocracias e ampliou benefícios para investimentos produtivos. O cenário tem chamado a atenção de grupos empresariais brasileiros interessados em expandir suas operações no mercado americano.
De acordo com Kevin-Murakami, cônsul-geral dos EUA em São Paulo, o ambiente atual favorece a entrada de recursos vindos do Brasil. “As portas dos Estados Unidos estão, mais do que nunca, abertas para o capital brasileiro. Uma das principais prioridades do presidente Trump é atrair investimento estrangeiro. Então, temos uma tempestade perfeita para o capital brasileiro.”
A presença de capital brasileiro nos Estados Unidos já vinha crescendo antes mesmo do atual governo. Em 2024, último dado disponível, os investimentos do Brasil no país alcançaram 22 bilhões de dólares.
Entre os destaques está a Global Eggs, que direcionou 1,2 bilhão de dólares para operações nos EUA. A companhia realizou aquisições e passou a ocupar a posição de segundo maior produtor de ovos do mercado americano. Segundo o CEO Ricardo Faria, um dos fatores que pesaram na decisão foi a possibilidade de dedução fiscal para a compra de novos equipamentos industriais.
“Enquanto no Brasil a gente tinha uma carga tributária de 34,5%, nos EUA a gente tinha de 21%. Com a BBB, a carga tributária real cai para abaixo de 10%.”
Outras empresas brasileiras também anunciaram projetos relevantes em território americano. A JBS está construindo uma fábrica de linguiças no estado de Iowa, em um investimento de 135 milhões de dólares. Já a CBC investe 300 milhões de dólares em uma unidade de produção de munições em Oklahoma.
A Taurus, por sua vez, vem ampliando as atividades de sua fábrica localizada na Geórgia. A unidade passou a receber a montagem de um número maior de modelos de pistolas e revólveres, reforçando a estratégia da empresa de aumentar sua capacidade produtiva dentro dos Estados Unidos.
Segundo Salésio Nuhs, presidente da Taurus, a planta americana possui capacidade para fabricar aproximadamente 1 milhão de unidades por ano e faz parte dos planos de expansão da manufatura local da companhia no mercado norte-americano.
Mesmo diante de momentos de avanço e de tensão nas relações comerciais, os negócios entre Brasil e Estados Unidos seguem ativos, enquanto novas medidas tarifárias continuam no radar dos dois países.
As transformações nas políticas econômicas globais mostram como empresas adaptam suas estratégias para aproveitar oportunidades e enfrentar novos desafios.






