Imagem: Abdul Saboor/Reuters

Onda de protestos contra o custo de vida atinge seis países europeus e deixa milhares de presos

Alta da inflação e cortes em serviços públicos desencadeiam atos populares com registros de confrontos, saques e forte repressão policial em grandes centros urbanos do continente.

ECONOMIAGOVERNOPOLÍTICACULTURA

Por Redação InfoDot

10/22/20262 min read

Uma onda de manifestações populares motivada pela escalada da inflação, pela deterioração dos serviços públicos e pelo aumento do custo de vida atingiu seis nações europeias, registrando episódios de violência, saques e confrontos com forças de segurança. Os protestos ocorreram em países como França, Itália, Albânia, Bélgica, Portugal e Espanha, alinhando em uma mesma pauta de reivindicações estudantes, centrais sindicais e pensionistas. Especialistas apontam para um cenário de ampla insatisfação social decorrente da percepção de perda contínua no poder de compra e no padrão de vida tanto da classe trabalhadora quanto da classe média no continente.

A situação mais severa desenvolveu-se na França, onde atos em Paris, Marselha, Lyon e Nantes culminaram no anúncio de toque de recolher pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Os episódios resultaram na prisão de aproximadamente 2,4 mil pessoas, cerca de mil agentes de segurança feridos e danos a mais de dois mil estabelecimentos comerciais. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, admitiu a insuficiência do contingente policial diante da escala dos distúrbios, enquanto o presidente Emmanuel Macron reconheceu falhas operacionais da polícia e rejeitou o pedido de renúncia de Nuñez. O ambiente de instabilidade ocorre a seis meses do pleito presencial no país, criando um cenário político propício para o fortalecimento da extrema-direita e de lideranças como Marine Le Pen.

Os focos de tensão apresentaram gatilhos específicos em cada localidade. Na França, o movimento teve origem em mobilizações estudantis contra cortes na educação e infraestrutura precária, expandindo-se posteriormente para a pauta geral de custo de vida. Na Albânia, o falecimento de Maricarmen Abascal, idosa de 87 anos despejada após não conseguir arcar com custos habitacionais, atuou como estopim para episódios de violência e incêndios. As mobilizações evidenciam o descontentamento da população diante do redirecionamento do orçamento público: enquanto os programas de bem-estar social enfrentam contenções, os gastos do bloco europeu com defesa e segurança estão projetados em € 454 bilhões para 2026 (2,4% do PIB), com compromissos de atingir 5% do PIB até 2035, intensificando os debates sobre justiça fiscal e taxação de grandes fortunas.

Imagem: Kiran Ridley/AFP

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