Plano Nacional de Logística mira R$ 1 trilhão em investimentos e eleva participação ferroviária para 35%

Plano Nacional de Logística prevê R$ 1 trilhão em rodovias, ferrovias, aquaviárias e projetos intermodais até 2050, elevando a participação ferroviária no transporte de cargas de 19% para 35%.

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Por Redação InfoDot

8/12/20263 min read

A dependência histórica das rodovias ajuda a explicar por que o Brasil convive com um dos custos logísticos mais altos do mundo. Para tentar reverter esse cenário até 2050, o governo apresentou o Plano Nacional de Logística (PNL), elaborado pelos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos, que projeta R$ 1 trilhão, em valores atuais, para obras rodoviárias, ferroviárias, aquaviárias e intermodais. O montante equivale a cerca de 8% do PIB brasileiro registrado no ano anterior.

Documento que passará a orientar as prioridades de investimento do país, o PNL busca integrar os diferentes modais e reduzir a dependência histórica das rodovias, segundo o ministro dos Transportes, George Santoro. Pelas projeções da pasta, a participação ferroviária no transporte de cargas deve saltar de 19% para ao menos 35% até 2050.

"Rodovias deveriam servir a deslocamentos de até 500 quilômetros, e não faz sentido transportar minério de ferro em uma rodovia. Isso explode o custo de manutenção. É preciso transportar em rodovias apenas o que precisa", afirma Santoro.

Atualmente, o modal rodoviário concentra 62% do transporte de cargas no Brasil, sendo o principal eixo da matriz logística nacional.

Reduzir o que Santoro define como custo logístico do país é outro objetivo central do plano. "Hoje, mais de 15% do PIB do Brasil é consumido por custos logísticos, enquanto a média mundial é de 7%. O PNL é um passo para reduzir esses custos", afirma o ministro.

Ao todo, o plano soma 31 eixos de investimento: 12 dedicados a rodovias, 8 a ferrovias, 4 a hidrovias e 7 a projetos intermodais. Do total de R$ 1 trilhão em investimentos previstos, cerca de 60% devem ser bancados por atores privados, via concessões e PPPs. "Para isso, a gente não tem orçamento fiscal para realizar tudo; a conta é realizar cerca de 40% e o restante ficar por conta da iniciativa privada. É preciso ter investimento público porque, sem ele, o privado não vem", explica Santoro.

Entre as prioridades do PNL também estão os possíveis gargalos de licenciamento ambiental que podem afetar os projetos, incorporados desde já ao planejamento do governo.

Prioridades para as ferrovias

Recursos oriundos da renegociação de contratos de concessões ferroviárias já existentes devem financiar parte da expansão da malha atual. Esses aportes seriam destinados diretamente aos projetos, sem passar pelo Tesouro Nacional.

Entre os principais projetos ferroviários estão a extensão Norte da Ferrovia Norte Sul, que soma ao menos 477 quilômetros entre os municípios de Açailândia, no Maranhão, e Barcarena, no Pará, além de trechos das ferrovias Transnordestina, Fico (Integração Centro Oeste) e Fiol (Integração Oeste Leste).

Nos eixos aquaviários, o plano projeta terminais portuários em municípios como Cáceres, no Mato Grosso, e Imperatriz e Marabá, no Maranhão e no Pará, respectivamente, além de unidades em três cidades do Tocantins, Aguiarnópolis, Miracema e Peixe, e outras três no Piauí, Teresina, Luís Correia e Guadalupe. O pacote também contempla expansão e ampliação de rodovias e complexos portuários.

Na prática, o alcance das metas depende diretamente da capacidade do governo de atrair e sustentar o interesse da iniciativa privada nos leilões e concessões previstos até 2050.

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