Quase um quarto das grandes empresas opera sem diagnóstico sobre os efeitos da reforma tributária

Levantamento da Roit com executivos de companhias que somam mais de R$ 2 trilhões em faturamento aponta baixa maturidade nas simulações e despreparo nas áreas de tecnologia da informação.

ECONOMIAMERCADOTECNOLOGIA

Por Redação InfoDot

8/19/20262 min read

A previsibilidade financeira no ambiente corporativo exige que profundas reestruturações no sistema de arrecadação de impostos sejam acompanhadas de diagnósticos rigorosos de impacto prévio. Levantamento conduzido entre maio e junho pela empresa de soluções fiscais Roit com 70 diretores das áreas financeira, fiscal e tecnológica de médias e grandes corporações indica que 24% das organizações ainda não realizaram simulações sobre os reflexos operacionais e financeiros da transição para a CBS e o IBS. O grupo de companhias consultadas movimenta conjuntamente receitas superiores a R$ 2 trilhões anuais, cifra correspondente a aproximadamente um quinto do Produto Interno Bruto nacional.

A falta de projeções atinge diretamente o planejamento estratégico e a formação de preços para os próximos anos. A sondagem revela que 37% das corporações não mensuraram os efeitos das novas regras sobre o capital de giro, com atenção voltada à introdução do split payment, sistema que efetua o recolhimento dos tributos de forma instantânea no ato da liquidação financeira. Adicionalmente, 34% dos executivos relatam desconhecer a tendência de precificação de seus produtos e serviços para 2027, ao passo que 27% não possuem estimativas sobre a evolução de suas margens de lucro no mesmo horizonte.

Entre as organizações que iniciaram a avaliação dos impactos, o nível de profundidade analítica permanece predominantemente superficial. Cerca de 49% das companhias realizaram apenas cálculos preliminares, enquanto 19% executaram modelos com dados estruturados e somente 9% concluíram mapeamentos detalhados por fornecedor e item de estoque.

O cenário de incerteza amplia-se quando analisada a capacidade de adequação dos sistemas de tecnologia da informação durante a fase de transição entre 2026 e 2033, período em que os novos impostos substituirão gradativamente o PIS, a Cofins, o IPI, o ICMS e o ISS. Apenas 1% das empresas avalia que sua infraestrutura tecnológica está totalmente apta a operar simultaneamente sob os dois modelos tributários. Na fatia restante, 40% mantêm os ajustes em fase de planejamento, 31% iniciaram adequações operacionais, 14% declaram falta de preparo e 13% ainda não pautaram o tema internamente.

A demora na modelagem de impactos e na modernização dos sistemas fiscais expõe as empresas a severos riscos operacionais e de caixa, demonstrando que a competitividade na transição tributária dependerá diretamente da velocidade de adequação tecnológica e contratual das organizações.

Leia mais...

INFODOT NAS REDES

PUBLICIDADE

INFO NA MÃO

contato@infodot.com.br

+55 11 95901-7002

InfoDot © 2025. Todos os direitos reservados.