

Foto: Sol Pulquério/PCR
Recife avança em comunicação quântica com rede pioneira em ambiente urbano
Tecnologias que antes pareciam distantes começam a ganhar forma no cotidiano, especialmente quando deixam o ambiente controlado e passam a operar em condições reais. Esse avanço já pode ser observado em iniciativas que buscam transformar a forma como dados são transmitidos com segurança.
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Por Redação InfoDot
4/24/20263 min read
Nesse contexto, um experimento realizado em Recife conseguiu transmitir correlações quânticas utilizando fibras ópticas já existentes na malha urbana da cidade. O projeto representa um avanço importante para o desenvolvimento da comunicação quântica no Brasil, ao demonstrar viabilidade fora de ambientes laboratoriais.
A iniciativa reuniu pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), com suporte da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). O trabalho integra a Rede Quântica Recife (RQR), que conecta diferentes pontos de pesquisa distribuídos pela capital pernambucana.
Durante os testes, foi possível estabelecer comunicação quântica entre locais separados por até sete quilômetros. A operação ocorreu em uma rede urbana ativa, utilizando fibras ópticas sujeitas a interferências e variações típicas do ambiente real. Para isso, foi empregada a infraestrutura da Rede Ícone, Redecomep, da RNP no Recife.
“Aplicações em comunicação quântica são muito sensíveis a perdas nas fibras ópticas. Nossos experimentos na Rede Quântica Recife mostraram que a tecnologia funciona em um ambiente fora do laboratório, em condições reais”, explica o professor Joaquim Martins, da UFPE, que integra a equipe de pesquisa.
Baseada em princípios da física quântica, essa forma de comunicação permite transmitir informações com níveis elevados de segurança. Um dos principais usos é a criptografia quântica, capaz de identificar tentativas de interceptação e proteger dados sensíveis, incluindo comunicações governamentais e operações financeiras.
“A infraestrutura da RNP não é para uso apenas em sua operação, mas também como ambiente de experimentação para pesquisa e inovação. Foi esse modelo que possibilitou viabilizar a Rede Quântica Recife usando fibras já existentes”, afirma o diretor de Engenharia e Operações da RNP, Eduardo Grizendi.
O projeto, coordenado pelo Departamento de Física da UFPE, recebeu R$ 2,99 milhões do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no final de 2023. A proposta inclui o desenvolvimento de equipamentos e protocolos que possam contribuir para uma futura estratégia nacional de comunicação quântica, com foco inicial na troca de chaves criptográficas em setores críticos, como energia, defesa, governo e sistema financeiro.
Para viabilizar os testes, foram instaladas três estações de pesquisa idênticas em diferentes pontos da rede, no Departamento de Física e no Departamento de Eletrônica e Sistemas da UFPE, além do Departamento de Física da UFRPE. O projeto também contemplou investimentos voltados à instalação e manutenção das fibras ópticas que conectam esses locais.
Os resultados obtidos em Recife foram publicados na revista Brazilian Journal of Physics. Como próxima etapa, os pesquisadores pretendem ampliar a rede para aproximadamente 40 quilômetros, incluindo novos parceiros, entre eles instituições situadas no Porto Digital, um dos principais polos de tecnologia e inovação do país.
À medida que essas iniciativas avançam, a distância entre pesquisa de ponta e aplicação prática tende a diminuir.






