Relatório alerta que envelhecimento populacional pode ameaçar avanço econômico

Mudanças demográficas intensificam riscos e já reduzem o fôlego econômico de várias nações, mostra levantamento do BERD divulgado recentemente.

MERCADOECONOMIACULTURA

Por Redação InfoDot

12/2/20252 min read

Entender para onde caminha uma sociedade ajuda a antecipar seus desafios, e nenhum deles parece tão inevitável quanto o envelhecimento populacional. Foi com essa perspectiva que o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, BERD, publicou seu relatório anual, no qual alerta que a desaceleração no crescimento da população em idade ativa já está prejudicando o desempenho econômico de diversos países.

No documento, o BERD projeta que, apenas na Europa emergente, a redução da fatia de pessoas em idade produtiva deverá retirar em média quase 0,4 ponto percentual ao ano da expansão do PIB per capita entre 2024 e 2050. O estudo afirma que esse processo já pressiona o padrão de vida atual e tende a limitar a capacidade de crescimento no longo prazo.

A economista-chefe do banco, Beata Javorcik, explica que “já hoje, a demografia está corroendo o crescimento dos padrões de vida e será um obstáculo para o crescimento do PIB no futuro”. Ela destaca que muitos países pós-comunistas “estão envelhecendo antes de enriquecer”, já que atingem idade média de 37 anos quando seu PIB per capita alcança US$ 10 mil, proporção equivalente a apenas um quarto do observado em economias avançadas na década de 1990.

Segundo o relatório, a queda nas taxas de natalidade é impulsionada por uma combinação de fatores, como mudanças sociais, expectativas profissionais e perda de ganhos na carreira das mulheres após a maternidade. Apesar disso, a instituição ressalta que incentivos adotados por quase todos os governos analisados não foram suficientes para gerar aumentos duradouros nos nascimentos.

A migração, que poderia compensar a redução populacional, também não se mostra viável politicamente em muitos países, afirma o documento. Ao mesmo tempo, a maior parte da população ainda é “ambivalente” sobre a adoção ampliada de inteligência artificial como estratégia de ganho de produtividade.

Diante desse cenário, Javorcik aponta que prolongar a permanência das pessoas no mercado de trabalho pode ser a principal alternativa. Para isso, ela ressalta a necessidade de retreinamento de profissionais e possivelmente ajustes nos sistemas de aposentadoria, reforçando que “o que precisamos é ter uma conversa adulta com os eleitores sobre a situação atual, porque as pessoas tendem a subestimar o significado das tendências demográficas”.

Olhar para o futuro exige reconhecer que ignorar a demografia é adiar um problema que só cresce com o tempo.

Leia mais...